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terça-feira, 31 de agosto de 2021

AUTOMOBILISMO

 

Botafogo, pioneiro de automobilismo


O Botafogo de Futebol e Regatas foi o primeiro clube brasileiro de futebol a competir em provas de automobilismo, na extinta Fórmula 2000.

Efetivamente, o Glorioso patrocinou o carro da piloto Suzane Carvalho, em 1991, e o escudo da Estrela Solitária abrilhantou as competições de Fórmula 2000 italiana daquela época.

Suzane Carvalho nasceu no Rio de Janeiro a 26 de Dezembro de 1963 e é uma conhecida botafoguense, que além de corredora em veículos de quatro rodas fez carreira no teatro, no cinema e na televisão.

Filha da atriz Lia Farrel e irmã da atriz Simone Carvalho, Suzane iniciou-se nessas lides com um ano e meio em propaganda de televisão. Mais tarde fez carreira com muitos sucessos, destacando-se, entre outras presenças, no teatro com as peças O Analista de Bagé, Bocage e Férias Extra Conjugais; no cinema com os filmes Sábado Alucinante, Profissão Mulher, Fêmeas em Fuga e Perdidos no Vale dos Dinossauros; na televisão com as novelas O Homem Proibido, Champagne e Vereda Tropical, bem como diversos espetáculos musicais e humorísticos. Apesar de ser filha de salgueirense Suzane também desfilou durante 25 anos pela escola de samba Beija Flor de Nilópolis, e ocasionalmente pela São Clemente.


Porém, o sonho de Suzane eram as corridas, tendo começado a correr em 1989 no Kart e depois na Fórmula 3, Fórmula 1600, Fórmula Ford, Fórmula 2000 (Canadá) e Fórmula 2000 (Itália).

Iniciada em 1989, foi campeã brasileira nesse mesmo ano em Kart e no ano seguinte sagrou-se campeã carioca na mesma modalidade.

Em 1991 tornou-se a primeira piloto brasileira a utilizar o distintivo de um clube de futebol em carros de corrida – o escudo da Estrela Solitária do Botafogo de Futebol e Regatas.

No ano seguinte, em 1992, foi campeã brasileira e sul-americana da categoria B da Fórmula 3, tornando-se a primeira mulher da história do automobilismo mundial a conquistar um título de Fórmula 3 e entrando para o Guiness Book e para a Enciclopédia Barsa.

Apesar disso, Suzane não teve patrocínio em 1993 e em 1996. Em 1997 tornou a obter patrocínios e em 1998 rumou à Inglaterra disputando a Palmer Audi e o Vectra Challenge. Em 1999, regressada ao Rio de Janeiro, correu na Indy Lights e em 2000 fez cinco etapas na Indy Lights. Em 2001 surgiu a Copa Clio, a piloto tornou a correr com o escudo do Botafogo no campeonato carioca Ford Fiesta Feminino e em 2002, por falta de verbas, Suzane Carvalho deixou de competir.

Suzane disputando a Copa Clio em 2001

Suzane publicou um manual de Kart com imenso sucesso, recebeu diversas premiações e homenagens e atualmente dirige um centro de formação de pilotos, fundado por ela em 2004, bem como faz testes em veículos de duas rodas e de quatro rodas ligeiros e pesados, e tendo tornado a correr em 2011 na Fórmula 3, disputando a etapa do Rio de Janeiro da Fórmula 3 Sul-Americana na classe Light. Uma mulher fantástica!

Pesquisa de Rui Moura (blogue Mundo Botafogo) e Marcos Machado (colaborador do blogue Mundo Botafogo)

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AS MISSES BOTAFOGO

 


OLGA BERGAMINI DE SÁ - 1929


Em fins dos anos de 1920, uma novidade surgida no ambiente cultural carioca ecoou nas principais cidades do país: jovens senhoritas da sociedade dedicaram-se à prática do violão, levando a público um repertório de canções típicas brasileiras. Se esse momento foi marcado pelo intenso processo de renovação tecnológica, que resultou na incorporação de novíssimos hábitos à vida cotidiana, essa atitude, em contrapartida, demonstrou o engajamento dessas mulheres à ideia de restabelecer a tradição, o compromisso refletido no anseio de trazer para a ordem do dia as coisas nossas, bem brasileiras, que refletiam a “verdadeira alma da nação”.

Recebendo a faixa de Miss Rio de Janeiro

As senhoritas tocavam violão, mostravam as pernas e assumiam uma nova forma física fruto de práticas esportivas e da ginástica que começava a ser divulgada. Os jornais do período exibiram as façanhas empreendidas pelas mulheres modernas como miss Gertrude Ederle. Foi a primeira mulher a atravessar a nado o canal da Mancha, tornando-se campeã olímpica e, em seguida, a mais ágil nadadora do mundo, recorde mundial feminino em várias distâncias e provas. A mesma miss Ederle revelou-se também a mais perfeita caçadora da América; dona de uma pontaria invulgar, tornou-se a primeira a abater desde as feras mais bravas aos patos silvestres às margens do rio Potomac.


As mulheres dos anos 1920, além de inúmeras façanhas, como atravessar o canal da Mancha a nado, faziam ginástica, eram chics, snobs e compravam móveis para o living-room. Dançavam, sobretudo, o tango, mas começaram a praticar o charleston, o shimmy, a ouvir jazz bands e a cantar o fox.

Em novembro de 1928, o jornal A Noite anuncia a grande novidade do final do ano. Promoverá o concurso de Miss Brasil e levará ao certame de Miss Universo, evento realizado na cidade de Galveston, no Texas, a brasileira vitoriosa. Foi um processo que durou aproximadamente seis meses e que envolveu todos os estados do país na seleção de suas representantes. 


Embarque para a disputa de Miss Universo

Temos que ter em mente que Olga foi a primeira representante brasileira no concurso de Galveston e, não menos importante, a primeira sul-americana. 

Naturalmente o povo brasileiro seria sensível à iniciativa, que significaria uma reação às imposições da vida moderna, então voltada essencialmente à ordem material e, sobretudo, à ciência e tecnologia. Os concursos de beleza representariam nesse contexto a elevação do espírito do povo ao nobre sentimento de beleza.

A organização estabeleceu a realização de concursos preliminares em todos os municípios do país, nos quais cada cidade escolheria sua representante; havia preocupação especial em contemplar o maior número de votantes, para que o resultado final pudesse expressar de fato a vontade popular. Terminadas as seleções, deveria realizar-se, na capital de cada uma das 22 unidades federativas, o julgamento que designaria a representante do estado, exatamente como ocorria nos Estados Unidos. Essas 22 representantes iriam ao Rio de Janeiro, onde seria eleita Miss Brasil aquela que levaria as cores do país aos Estados Unidos.

A eleição de Miss Rio de Janeiro foi realizada no domingo, 24 de março, no campo do Fluminense; o júri, composto pelo escultor Correa Lima, diretor da Escola Nacional de Belas-Artes, pelo pintor Eliseu Visconti, pela pintora Sara Vilela de Figueiredo, pelo dr. José Mariano Filho e pelo sr. Francisco Serrador. Enquanto retiraram-se para decidir sobre o voto final, as Bandas da Escola Militar, gentilmente cedida pelo Ministro da Guerra, a banda do Corpo de Bombeiros e a Banda do Batalhão Naval, cedida pelo Ministro da Marinha, além da orquestra Brunswich, alternaram-se na execução da parte musical. Após duplo desfile, o júri deu o veredito final consagrando Miss Botafogo com o título de Miss Rio de Janeiro. Olga Bergamini de Sá foi surpreendida pela decisão do júri. Recebeu a faixa das mãos de Sarah Vilela e, ao lado do diretor de A Noite, emoldurada pelo ruidoso som da aclamação popular, deu no estádio a volta triunfal, descrevendo um largo círculo olímpico.

Terminada a eleição surgiu finalmente a primeira oportunidade de conhecer um pouco a preferida do público carioca. Olga Bergamini começou agradecendo ao jornal e, naturalmente, ao povo que a elegeu. Informou não ter feito sua inscrição no concurso, mas ter sido surpreendida pela presença de seu nome entre as eleitas; passou, então, a acompanhar o pleito pela simples curiosidade de saber quantos votos alcançaria. Ainda que surpresa, levou a vida cotidiana como de hábito, e quando estava veraneando em Petrópolis soube da primeira convocação às misses à qual não pôde comparecer. A senhorita Olga Bergamini de Sá “não é apenas uma bela carioca, é uma carioca de educação primorosa, flor encantadora de distinção, desabrochada em ambiente amável de pureza”. Satisfeitas as primeiras curiosidades sobre a bela carioca, o jornal renovou o fôlego e passou à promoção do evento em sua dimensão nacional sempre com a manchete: “Miss Brasil, florão de uma raça”. 

Inicialmente Miss Botafogo, transformada em Miss Rio de Janeiro e aclamada Miss Brasil, Olga Bergamini de Sá recebeu a consagração popular.

Na primeira página de A Noite, foi estampada generosa fotografia de Olga com seu violão em punho, constando abaixo os dizeres: “Miss Brasil ama o violão e a música nacional”. Filha do comerciante Francisco Marques Correia de Sá e de Luiza Bergamini, Olga nasceu na rua do Catete, n. 92, casa 12.  O primeiro colégio que cursou foi o Sacré-Coeur, viajou com os pais para a Europa por um ano e ao regressar entrou para o colégio Burlamaqui, matriculando-se em seguida no Andrews. Falava um pouco de inglês e arranhava o francês, o espanhol e o italiano.  Seus 18 anos seriam cumpridos no dia 8 de maio de 1929, data de sua partida para os Estados Unidos. 

Quando veio à janela do salão de honra do clube para despedir-se rumo ao concurso de Miss Universo] e em seguida sair, toda a multidão foi tomada de delírio; surpreendeu a todos o enorme contingente de pessoas que ocuparam o bairro:

“As ruas Guanabara e Álvaro Chaves eram como rios humanos. Escoavam-se em ondas de gente constituídas em sua maioria de senhoras e senhoritas, em trajes vaporosos e de variadas cores, que emprestavam ao desfile um estranho encanto, escoavam-se para todos os lados. Os bondes, os automóveis, foram então tomados pela multidão. Todos os veículos, até o largo do Machado, pela grande afluência de povo, só puderam trafegar em marcha vagarosíssima.”

Era tal o entusiasmo em torno do carro da senhorita Olga Bergamini que o veículo teve que ser escoltado por quatro praças da Polícia Militar. 

Uma ilustração de Di Cavalcanti publicada na revista Para Todos fornece uma boa chave para a compreensão do momento: “Lições para ser ‘século-vinte’: lição de tango, lição de violão, lição de box e, claro, lição de amor!”. Esbanjando sensualidade, a presença da mulher sobressai em todos os cenários: na dança do momento, empunhando o instrumento da moda, a postos para encarar o sport moderno e envolvida pelo cinema, movimento, acima de tudo. A lição de violão é dada por um galante professor mulato a uma jovem senhorita, que traja um vestido leve e apresenta-se com as pernas cruzadas, exibidamente à mostra. 

Ser “século-vinte” é, finalmente, ser moderno!

Fonte: Taborda, Marcia. ‘Contrastes da vida moderna: os loucos anos 1920 no Rio de Janeiro’. Revista Crítica.

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VÂNIA PINTO

Vânia Pinto, paulista de Campinas (SP), Miss Botafogo e Miss Distrito Federal (Rio de Janeiro), foi eleita Miss Brasil no dia 26 de janeiro de 1939, no Cassino da Urca.  Em 2º lugar ficou Esilda Lisboa do Rio Grande do Sul e em 3º lugar Cleyde Escobar de São Paulo.

O top 5 foi formado por Vânia Pinto do Distrito Federal, Neyde Tinco do Estado do Rio, Maria Thereza Valença Cavalcanti de Pernambuco, Esilda Lisboa do Rio Grande do Sul e Cleyde Escobar de São Paulo. Participaram 17 candidatas.

“A guerra atrapalhou a eleição de Vânia Pinto em 1939. Tinha 15 anos e um rosto que até agora mostra a mulher de rara beleza. Ela faz questão de esclarecer: - Não desfilei de maiô, o concurso era diferente dos que se realizam hoje. A guerra impediu que saísse do Brasil para a prova final nos Estados Unidos.” (Revista Manchete, Ano 8, Número 429, 09/07/1960) 


Em 1939, não houve Miss Universo em Galveston, Texas, Estados Unidos, devido ao início da Segunda Guerra Mundial, que só terminaria em 1945. 

É muito escasso o material de pesquisa sobre a trajetória de Vânia Pinto, Miss Brasil 1939. “Representou o Botafogo no Miss Distrito Federal e pode ser considerada a primeira modelo profissional brasileira”, eis o que li, faz algum tempo, na internet. 

As últimas fotos de Vânia Pinto, feitas antes de sua morte, foram publicadas nas revistas Manchete (18.05.1985) e Veja (15.05.1985), graças a um evento famoso. No dia 4 de maio de 1985, o publicitário goiano Waldir Viana, já falecido, organizou um encontro na casa de Adalgisa Colombo (1940-2013), Miss Botafogo, Miss Distrito Federal, Miss Brasil e Vice Miss Universo 1958, no bairro do Joá, Rio de Janeiro, que contou com a presença de doze Misses Brasil e uma Miss São Paulo.

Estiverem presentes as seguintes três Miss Botafogo, Miss Rio de Janeiro e Miss Brasil: Vânia Pinto (1939), Adalgisa Colombo (1958) e Gina Macpherson (1960).

A Veja iniciou a reportagem afirmando “Celebrou-se no último dia 4, no Rio de Janeiro, um ato de nostalgia, talvez o último do gênero...” Finalizou mencionando uma declaração de Adriana Alves de Oliveira, Miss Rio de Janeiro, Miss Brasil, terceira colocada no Miss Universo 1981: “Essas mulheres foram fenômenos”, referindo-se às Misses que estiveram no almoço na casa de Adalgisa Colombo. A Veja referiu-se à Martha Vasconcellos como "a mais deslumbrante das senhoras reunidas por Adalgisa.”



O Jornal do Brasil, em sua edição de 05/05/1985, deu destaque ao encontro. Não postou imagem de Vânia Pinto, mas assim destacou sua presença: "Vânia Pinto, Miss Brasil 1939, demonstrou uma audácia própria para a época, posou para uma foto daquele ano vestindo um sóbrio vestido de fazenda xadrez, mas com uma piteira preta entre os dedos da mão esquerda até próxima do rosto. Bela naquele tempo, mantinha a beleza ainda, embora já não consegue enxergar muito bem em ambientes fechados. Uma sobrinha a auxiliava a encontrar a bolsa e outros pequenos pertences espalhados pela sala colorida e aconchegante de Adalgisa Colombo.”

Publicado 14th May 2021 por Ruy Moura

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ADALGISA COLOMBO

Adalgisa Colombo, a lindíssima Miss Botafogo, irá a Long Beach como representante do Brasil, mercê de suas estrondosas vitórias de graça, elegância e beleza, conquistadas no Maracanãzinho, nas noites inesquecíveis de 14 e 21 de junho último.

Na primeira noite, Adalgisa consagrou-se Miss Distrito Federa. Carioca legítima, nascida no próprio bairro de Botafogo, a 11 de janeiro de 1940, é filha do distinto casal Eduardo-Percília Colombo.

De tez clara, cabelos negros e olhos castanhos, Adalgisa tem as seguintes medidas: altura, 1,69; pêso, 56 quilos; cintura, 62 cm.; busto, 90 cm.; quadris, 91 cm.; coxa, 56 cm.; tornozelo, 21,5 cm.; sendo uma moça finamente educada, falando perfeitamente inglês e francês.

Sôbre a vitória espetacular, que arrazou o despeito de uma malta de cafajestes, assim se expressou “O Jornal”, sobre a noite de 14:

– “Muito linda no seu tipo de morena brasileira, voltou-se para uma senhora que estava perto e, chorando de alegria ao abraçá-la, disse: “Mamãe, nem acredito!” Ela acabava de ser a vitoriosa entre vinte e cinco outras jovens não menos belas, na festa que teve lugar às últimas horas de ontem, às primeiras horas de hoje, no Maracanãzinho, importante etapa do Concurso Miss Brasil – Miss Universo, promovido pelos Diários Associados sob o patrocínio exclusivo do “Leite de Rosas”, em todo o país”.

Mas, a suprema noite foi a de 21 quando Adalgisa, Miss Distrito Federal, entre 23 jovens representantes de estados e Territórios, impôs sua invulgar formosura e sua plástica notável, consagrando-se sob a chuva de flores e ovações delirantes, Miss Brasil.

Sobre a noite de 14, disse “O Cruzeiro”: – “As moças foram saindo, uma a uma, com seus embrulhos, vestidos, parentes, tristezas e alegrias. Lá fora, chovia fino. Adalgisa, que tem 18 anos e sempre quis ser “Miss” desde menina, deu o braço ao pai e à mãe, abriu caminho entre os que esperavam para vê-la, e foi para casa, com mais um campeonato para o seu time, o BOTAFOGO”.

O BOTAFOGO inteiro, sempre presente em todas as jornadas, com o Dr. Sergio Darcy, seu presidente em exercício, à frente, vibrou intensamente com a consagração de sua excepcional representante como protótipo da beleza da Mulher Brasileira, torcendo calorosamente para o seu sucesso em Long Beach.

Nota do Mundo Botafogo: Adalgisa Colombo Teruzkin nasceu no Rio de Janeiro no dia 11 de janeiro de 1940 e faleceu na mesma cidade no dia 17 de janeiro de 2013. Em Long Beach sagrou-se Vice Miss Universo 1958 e renunciou durante o mandato para contrair matrimônio, mantendo-se oficialmente Miss Brasil. Em 1956 atuara no filma Com Água na Boca, no papel de Teresinha, posteriormente foi apresentadora da TV Rio durante a década de 1960 e em 2004 foi homenageada pelo portal ‘Misses do Brasil’ como a “Miss Brasil Inesquecível”.



Fonte: Blog mundobotafogo Ruy Moura

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RIO - Símbolo de elegância, misturada a uma boa dose de ousadia, Adalgisa Colombo, Miss Brasil 1958, manteve a aura do título em toda sua vida. A moça, que cresceu em Botafogo e foi educada no Liceu Francês de Laranjeiras, era habitué de concursos de beleza e dos desfiles da Casa Canadá desde os 15 anos. Antes de se sagrar Miss Brasil como candidata do Distrito Federal — feito alcançado aos 18 anos — ela havia sido a Miss Botafogo. No concurso de 1958, ela desbancou as concorrentes do resto do país com uma ousadia que entrou para a história da disputa: depois de ter as pernas cobertas por pancake pelo maquiador do Miss Brasil, como as demais candidatas, ela correu ao banheiro, tirou tudo e se cobriu de óleo, dando à pele um brilho sensual nunca antes visto pelo júri.

— Aquilo foi como um anúncio da mulher sensual que entraria nas passarelas nos anos 60, mais ousada e decidida. O Miss Brasil sempre foi modelo de mulher careta. Adalgisa foi a primeira não careta da história. E a primeira a desfilar com óleo. Ela tinha uma postura de modelo, um desfile mais agressivo. E Adalgisa era de uma classe média moderna. Tinha um nível intelectual diferente das outras misses — conta o jornalista Joaquim Ferreira dos Santos, autor do livro “Feliz 1958 - O ano que não devia terminar”, em que dedicou um capítulo ao título de Adalgisa no Miss Brasil.
No Maracanãzinho lotado, Adalgisa recebeu a coroa das mãos de Therezinha Pittigliani, Miss Brasil 1957, de quem se tornou amiga.
— Ela deixa várias memórias boas. Foi uma pessoa muito amiga e alegre. Não se queixava de nada. Gostava de cozinhar, fazia um bacalhau divino. Sua nora está grávida e ela estava muito animada para se tornar avó — conta Therezinha.
Depois de se tornar Miss Brasil, a modelo foi recebida pelo presidente Juscelino Kubitschek e beijou Bellini, capitão da seleção brasileira, para pôsteres do campeonato mundial. Com o título, ela foi disputar o Miss Universo, em Long Beach, nos Estados Unidos, mas ficou em segundo lugar, atrás da candidata colombiana, para felicidade de Jackson Flores, com quem se casaria pouco depois em Nova Iorque, abdicando da coroa de miss. O casal teve um filho e viveu na cidade americana por 14 anos.
O segundo casamento de Adalgisa foi com o empresário Flávio Teruszkin. Depois da união, ela se converteu ao judaísmo, religião do marido, com quem morava numa casa no Joá. No final dos anos 80, o casal, que adotou dois filhos, se mudou para Portugal, fugindo da onda de sequestros no Rio. A modelo criou ainda a filha de sua única irmã, que morreu aos 29 anos com problemas cardíacos. Adalgisa trabalhou na Rádio Globo e na TV Rio, além de ter sido garota propaganda de produtos como o cigarro Charm, numa época em que fumar era símbolo de elegância. Apesar de dizer que detestava frequentar eventos como o Fashion Week, ela continuou sendo uma referência no mundo da moda e reproduzia aprendizados dos tempos da Casa Canadá. Um deles era jamais usar chapéu com cabelo solto. A eterna miss dizia: “Essa combinação deixa qualquer mulher parecida com uma bruxa”.
A causa da morte de Adalgisa não foi divulgada pela família. Ela foi enterrada no cemitério israelita de Vilar dos Teles, na sexta-feira.

Fonte: Jornal O Globo 21 de janeiro de 2013
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Gina MacPherson

Miss Botafogo, Miss Guanabara, Miss Brasil e semi finalista Miss Mundo
por RUY MOURA
Maracanãzinho, Rio de Janeiro, 4 de junho de 1960, 10.000 pessoas ansiosas, 24 jovens em disputa do 1º título de Miss Guanabara, o estado recém-criado após a capital do país transferir-se para Brasília, e Gina MacPherson candidata a mais um título de uma Miss Botafogo.
A noite começou, sem dúvida, tanto para o público como para os ‘entendidos’, com Dirce Machado, Miss Renascença Clube, mulata muito bonita e elegante, que abalou os ‘alicerces’ do Maracanãzinho com o seu charme, mas no final foi Gina MacPherson a grande vencedora.
As candidatas finalistas a Miss Guanabara, da esquerda para a direita: Maria Helena Thomé (Miss Uruguai Tênis Clube, 2º lugar), Gina MacPherson (Miss Botafogo, 1º lugar), Shirley da Silva Carneiro (Miss Grajaú, 3º lugar) e Dirce Machado (Miss Renascença Clube, 4º lugar). Créditos: Indalécio Wanderley / O Cruzeiro.

Miss Guanabara 1960
Ao som de ‘Cidade Maravilhosa’ e aplaudida por todo o Maracanãzinho, a botafoguense de olhos verdes e cabelo preto, que foi apontada como favorita logo após o vestido de baile, um tule vaporoso, estola do mesmo tecido, sapatos de cetim cor de caju e luvas da mesma cor, recebeu do governador Sette Câmara, do estado da Guanabara, a faixa de 1ª Miss Guanabara.
Gina MacPherson, nascida em Icaraí, Niterói, e era recepcionista da empresa de aviação BOAC, tendo sido descoberta por um diretor do Botafogo em pleno local de trabalho e, por isso, as suas primeiras palavras de agradecimento foram dirigidas ao Clube que lhe proporcionou a possIbilidade de viver uma história de Cinderela (Manchete).
Filha de pai escocês importador de uísque, passou a infância entre o Rio Cricket, a piscina do Clube de Regatas e os estudos ministrados pela mãe americana, uma mulher prática que ensinou às três filhas o valor da independência. Falando português com ligeiro sotaque da Escócia quando queria, Gina adorava ler romances, montar a cavalo na fazenda dos pais e assistir a filmes de Marlon Brando, Tony Curtis, Frank Sinatra, Debbie Reynolds, Brigitte Bardot e Gina Lollobrigida.
No mítico Maracanãzinho evoluiu suavemente pelo palco com os seus 172cm de altura, 93cm de busto e de quadris, 58cm de cintura, 53cm de coxa, 22cm de tornozelo e 57kg de peso. Na semana seguinte venceu 22 candidatas e foi coroada Miss Brasil 1960.

As candidatas finalistas a Miss Guanabara, da esquerda para a direita Maria Helena Thomé (Miss Uruguai Tênis Clube, 2º lugar), Gina MacPherson (Miss Botafogo, 1º lugar), Shirle

Maracanãzinho, Rio de Janeiro, 11 de junho de 1960, 23 jovens em disputa pelo título e 28.000 pessoas ansiosas por conhecerem em direto a mais bela brasileira a irromper pela década que abalou o ‘velho mundo’.

Na foto acima, as mais belas do Brasil, da esquerda para a direita: Erica Bertha Lirkus (Miss São Paulo, 8º lugar), Vanja Nobre Jacob (Miss Amazonas, 7º lugar), Edda Logges (Miss Rio Grande do Sul, 5º lugar), Maria Edilene Torreão (Miss Pernambuco, 3º lugar); Gina MacPherson (Miss Guanabara, 1 º lugar), Magda Renate Pfrimer (Miss Brasília), 2ºlugar), Mercedes Elizabeth del Carmen Carrascosa Von Glehn (Miss Minas Gerais, 4º lugar), Marzy Moreira (Miss Estado do Rio, 6º lugar).

As Misses mais aplaudidas começaram por ser as de Minas Gerais, Pernambuco, Guanabara e Estado do Rio, e se as palmas da multidão contassem, certamente Miss Minas Gerais teria o título assegurado. Porém, a ‘luneta’ do júri vê mais longe os ‘pecados mortais’ da beleza: ombros caídos, quadris volumosos, coxas grossas, joelhos para dentro, omoplatas salientes, a linha reta das pernas quando os calcanhares se unem. E personalidade, modo de andar e outros atributos, porque ser Miss exige uma complexa combinação entre aritmética e poesia…
Em Miami, no concurso de Miss Universo, era considerada favorita e até chegou a pousar com a coroa: – Aquela, sim, foi uma noite completa! No famoso Hotel Fontainebleau, um dos melhores do mundo, um show em homenagem ao nosso país contou com Gina no último quadro. O auditório aplaudiu a bonita Miss Brasil, que num improviso em inglês arrancou assobios de entusiasmo. Os jornais de Miami encheram suas primeiras páginas com fotos de Gina, que é a favorita (O Cruzeiro).
Porém, no final, Gina ficou em 6º lugar e atribuíram a coroa à candidata americana.
– Eu nem tinha as tais duas polegadas a mais de quadril que haviam desclassificado a Martha Rocha. Eles chegaram a tirar minha foto com a coroa de Miss Universo, mas quem acabou ganhando foi a americana Linda Bement — contou Gina ainda esbelta aos 73 anos.
Porém, Gina guarda uma raiva íntima, não propriamente por não ter sido Miss Universo, mas devido à justificação que encontraram para não conquistar o título. Cada candidata tinha um motorista universitário, que acompanhava as misses aos compromissos externos e na festa de premiação Gina deu as mãos e dançou com o seu cicerone, sendo acusada de ter perdido a coroa devido ao suposto namorico.
– Fiquei muito chateada porque não era verdade. Eu namorei e aproveitei muito essa época, mas não com ele. Quis voltar direto para o Brasil, porque tive um outro aborrecimento com o cônsul brasileiro, que queria que eu desfilasse de maiô no aeroporto de Miami. Eu era Miss, não vedete.


No regresso a casa Gina viveu “um ano de Cinderela” antes de decidir afastar-se dos holofotes e dedicar-se integralmente à sua futura família. Passada a fase de Cinderela, em que nem a faixa de Miss Brasil sobrou, porque foi roubada em Inglaterra, ela voltou com o ex-namorado e oficial da Marinha Ademar Garcia, casou-se, teve três filhas, netos e bisnetos.
Jean MacPherson, mundialmente conhecida por Gina MacPherson, tem 80 anos de idade, acredita que escolheu uma vida pacata devido ao frenesi vivido durante os concursos e ainda cuida do seu jardim.
Fontes: Manchete; O Cruzeiro; Passarela  Cultural.

Publicado 1º Abril 2021 por Ruy Moura
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MARIA RAQUEL DE ANDRADE

SESSÃO NOSTALGIA - MARIA RAQUEL DE ANDRADE, VALE A PENA SER MISS .................... Daslan Melo Lima 


Era abril de 1966 e faltavam dois meses para Maria Raquel Helena de Andrade, Miss Guanabara e Miss Brasil 1965, passar as faixas para as suas sucessoras, quando a revista MANCHETE(Ano 13, Nº 730, 16/04/1966) circulou nas bancas de todo o país com uma reportagem de André Kallás, Maria Raquel de Andrade – Vale a pena ser Miss? Maria Raquel responde: Sim, vale a pena ser Miss Brasil, desde que recebi a faixa, no ano passado, as alegrias que tive e continuo tendo são muito mais numerosas do que as decepções. Não me arrependo de ter representado o Brasil em Miami. Pelo contrário, sinto um orgulho imenso, por mim, pelos meus pais, pelos meus amigos e pelo Botafogo. E.se isso fosse possível gostaria de recomeçar tudo de novo. Até mesmo o título de Miss Marte me deixaria feliz. Maria Raquel foi descoberta pela jornalista Nina Chaves, que publicou sua foto no suplemento feminino do jornal O Globo. A foto era sensacional, e a moça de cabelos louros, agitados pelo vento, teve que ser explicada com a seguinte legenda: Ela existe, sim senhores! E mora no Rio. Maria Raquel de Andrade, Miss Guanabara 1965, ladeada pelo pai João Luís e pela mãe que também se chamava Raquel. Então, de repente, Maria Raquel ficou viciada em bailes de debutantes. Depois do seu verdadeiro Baile das Debutantes, realizado em Florianópolis, ela foi procurada pelo Barão de Siqueira Júnior, especializado em promover esse tipo de festa juvenil.
O Barão lhe disse: - Você é simplesmente um sonho! Eu quero que você participe do Baile das Debutantes que vou dar no Rio, no Clube Monte Líbano. Maria Raquel topou. A festa foi linda. Mas o Barão, ainda não satisfeito, exigiu que ela participasse de outro baile, o mais solene dos três, no Copacabana Palace e tendo por madrinha a senhora Sarah Kubitschek. Hoje ela comenta com um sorriso: - Se dependesse do Barão, eu iria continuar debutando até hoje... Em 1964, no Maracanãzinho, ela viu pela primeira vez a eleição de Miss Brasil. - Fiquei deslumbrada com aquele movimento, o entusiasmo do público e tudo o mais. Aplaudi freneticamente Ângela Vasconcelos, no momento em que foi coroada. Mas nunca poderia pensar que no ano seguinte tudo aquilo aconteceria comigo mesma.
Maria Raquel fez um curso de recepcionista na Socila e a professora Maria Fernanda incentivou-a a se inscrever no Miss Guanabara. A mãe não apoiou, mas o pai disse sim. A família torcia pelo Botafogo e quando um diretor do clube perguntou se ela gostaria de representar o clube da estrela solitária no Miss Guanabara, Mara Raquel não teve dúvida em aceitar. 


Havia uma onde tremenda contra mim. Algumas candidatas diziam que se eu ganhasse era marmelada, e que em represália não cantariam em minha homenagem, conforme estava no programa. Não cantaram mesmo, mas não liguei. O importante foi o momento em que a linda Vera Lúcia Couto me passou a faixa. Foi o momento mais emocionante da minha vida, muito mais emocionante do que quando fui coroada Miss Brasil. Ninguém pode imaginar o que é um camarim durante a eleição de Miss Brasil. Ouvem-se fofocas de arrepiar os cabelos. Aquela correria para lá e para cá, a demora em começar o desfile, a expectativa, tudo mexe com os nervos da gente. No entanto, na hora de colocar os pés na passarela, senti-me estranhamente calma. Estava tão serena que cheguei a observar a posição das diferentes torcidas, percebendo que a turma do Botafogo estava do lado esquerdo. Comecei a andar de cabeça erguida, sorrindo até o fim, indiferente às vaias, que foram muitas, e aos também numerosos aplausos. Se ganhasse, seria ótimo. Se perdesse, azar meu. 
Era assim que eu pensava. Ganhei. A reação brutal de uma parte do público não me impressionou. O que me interessava era a opinião do júri. Mesmo porque, se o público brasileiro fosse chamado para julgar concursos de beleza, haveria até guerra civil. Logo que Ângela Vasconcelos me passou a coroa, meu primeiro pensamento foi para mamãe e papai. Estava feliz por vê-los felizes e recompensados pelos dias de angústia que viveram juntos comigo. O resto, as vaias, o despeito, as fofocas, que se danassem. A favorita do público ao título de Miss Brasil 1965 era Marilena de Oliveira Lima, Miss Mato Grosso, que ficou apenas em quarto lugar, motivo das vaias às quais Maria Raquel se refere, as maiores vaias da historia do Maracanãzinho. Maria Raquel de Andrade - (Foto: MANCHETE,16/04/1966) - Nenhuma vaia do mundo – diz ela, recordando a sua dramática noite de glória no Maracanãzinho – nenhuma vaia do mundo – repete - cobriria o som daquela serenata que fizeram para mim em Manaus, às margens do Rio Amazonas. E qualquer crítica se apagaria ante o sermão pronunciado pelo Padre Gustavo, em Curitiba, durante a missa celebrada em minha homenagem, quando passei por lá. Foi um sermão quase que exclusivamente sobre o significado do título que eu acabava de conquistar, e eram palavras tão sábias e comoventes que chorei um bocado. Maria Raquel Helena de Andrade ficou entre as quinze semifinalistas do concurso Miss Universo 1965 e achou justa a vitória da tailandesa Apasra Hongsakula. Na condição de Miss Brasil, ganhou em moeda da época cinco milhões de cruzeiros em espécie, um automóvel zero quilometro da marca Gordini, vestidos, sapatos e jóias e viajou pelo país inteiro. Depois, casou e se tornou uma das grandes damas da sociedade carioca, figura obrigatória nos grandes eventos, com o nome citado nas mais prestigiadas colunas sociais. Exteriorizando muita alegria, ela marcou presença na noite da eleição da Miss Brasil 2004, no quadro que rendeu um tributo às Misses Brasil dos anos anteriores, dentro das comemorações dos 50 anos do concurso Miss Brasil. Quais foram as canções cantadas naquela serenata em Manaus, às margens do Rio Amazonas? Quais foram as palavras sábias e comoventes daquele sermão do Padre Gustavo em Curitiba? Foram todas revestidas de um tom especial de espiritualidade que marcou para sempre o universo de Maria Raquel Helena de Andrade, Miss Guanabara e Miss Brasil 1965, uma Miss que se orgulha do seu passado de rainha da beleza e que não se cansa de dizer que valeu a pena ser Miss. 

Fonte: Blog Passarela Cultural