quarta-feira, 11 de março de 2020

GALERIA DE HONRA



Quem lembra do saudoso e superticioso presidente Carlos Martins da Rocha ou mais conhecido como Carlito Rocha que sempre estava acompanhado de seu fiel escudeiro o mascote Biriba que sempre entrava em campo nos jogos dos profissionais.

Considerado por muitos como um dos maiores botafoguenses de todos os tempos, nasceu em 1894, ano da fundação do Club de Regatas Botafogo, e ainda jovem, já defendia a camisa do Botafogo Football Club. Arrebatado, em 7 de setembro de 1918, acometido de pneumonia e sob intensa febre, entra em campo para enfrentar o América, o que lhe provocou um estado de coma e longo período de convalescença.


Cachorro Biriba mascote do Botafogo em campo


Resultado de imagem para FOTO CARLITO ROCHA COM CACHORRO BIRIBA

Biriba

Foi atleta exemplar e dirigente denodado, tendo recebido todos os títulos e homenagens que o clube outorga a seus maiores. Presidente do Botafogo de 1948 a 1951, foi o grande líder da conquista do Campeonato Carioca de 48. Pode ser considerado o iniciador das crendices e superstições botafoguenses. Fez de um cachorrinho mascote, o célebre Biriba, e em dias de jogos, para afastar a má sorte, mandava dar nós nas cortinas da sede.
Morreu em decorrência de problemas cardiovasculares e renais.
CARLITO ROCHA
UMA LEGENDA DO BOTAFOGO

A notícia entristeceu a todo botafoguense. Morreu Carlos Martins da Rocha aos 86 anos de idade, dos quais 70 dedicados ao clube.  Botafogo e Carlito Rocha se confundiam.  Não se podia  falar em Botafogo sem se falar em  Carlito Rocha, ligado ao clube desde sua meninice. Ainda garoto, praticou  o futebol entre os infantis e juvenis ao tempo em que estes últimos tinham um limite de idade bem menor de 20 anos.

Acendeu ao time principal e brilhou intensamente como excelente centro-médio  acumulando vitórias que fizeram nos primórdios do século, o Botafogo admirado e distinguido entre seus co-irmãos. Integrou selecionados cariocas e brasileiros. Era conhecido como um dos botafoguenses mais apaixonados e dedicados que o Botafogo já possuiu. Foi um homem que durante toda sua vida, sacrificou a família e seus negócios particulares para se dedicar ao Botafogo. Carlito Rocha era o próprio Botafogo, tão ligado estava à história e as glórias do clube. 
Histórias, curiosas, tristes ou alegres, serão sempre relembradas pelos que viveram as fases mais intensas de Carlito Rocha. E ele morreu lutando pelo melhor para o Botafogo, como fez em todo a sua vida. Voltar a General Severiano, recuperar a antiga sede, o campo de tantas glórias e recordações  foi a sua ultima campanha, seu último desejo.
De atleta dos mais brilhantes e eficientes, surgiu o grande dirigente. Destacou-se como presidente e diretor de futebol, somando em seu acervo de vitórias o sensacional e sempre lembrado campeonato carioca de 1948, feito épico que grangeou para o Botafogo uma projeção sem par. Depois de se desfazer de um dos maiores ídolos de todos os tempos no clube -  falecido Heleno de Freitas - armou um time aparentemente modesto, entregando-o a Zezé Moreira. Apareceu, então, um personagem surpreendente o cão "Biriba", que Carlito considerava uma
força nos seus princípios de superstição. Depois de perder o primeiro primeiro jogo para o São Cristóvão (a única derrota), por 4x0  em General Severiano, ganhou o título de 1948 derrotando o famoso "Expresso da Vitória' do Vasco da Gama por 3 a, 1, no último jogo do campeonato. Quem ainda não se lembra dessa estrondosa vitória e suas histórias?
Carlito, católico praticante, era um místico, capaz de acreditar em tudo. Principalmente nas coisas que achava que davam sorte. Por isso mesmo, durante a temporada triunfal do Botafogo jamais se vestiu com outro terno que não fosse aquele pesadíssimo, de puro tecido inglês azul risca de giz. Carregava na cabeça  enorme chapéu cinza e na lapela, um escudo do River Plate, de Buenos.  Tudo tinha sua razão de ser, pensava ele. E, assim, há muitas e muitas histórias a seu respeito, culminando com o pequeno "Biriba”, que acabou transformando-o na mascote do time, seu talismã maior.
Naturalista, achava que o atleta só se completava comendo rapadura, tomando mel e gemada. Mas, aos que costumavam- se exceder em bebida Carlito obrigava a comer manga em jejum, e depois recomendava: - "Eu só digo uma vez, manga com cachaça mata." A Revista seria muito pequena contar  tudo sobre o saudoso
Grande Benemérito do Botafogo. É preciso um livro. '
Duas vezes foi ferido no seu amor botafoguense, mudou de ares. Numa foi campeão de remo pelo Guanabara; noutra, ajudou o Canto do Rio a armar um bom time, nos anos 40, cujo destaque era o meia-esquerda Perácio, ex-botafoguense. No primeiro jogo  contra no Botafogo, o Canto do Rio venceu por 6 a 3 e Perácio marcou três gols. "Tenho que voltar para lá (referia-se ao Botafogo) para mostrar que meu sangue é bom” - afirmou a amigos sem demonstrar a mínima euforia pela, vitória sobre o seu clube, inteiramente abatido e consternado.
E ainda tem muito mais na vida de Carlito. Árbitro de futebol da Liga Metropolitana, de saudosa memória, de honestidade ilibada, quando apitava partidas não distinguia litigantes, a ponto de não contentar adeptos do Botafogo que entendiam erradamente, que, para, ser bom botafoguense é-se obrigado a proteger o clube, em detrimento de uma reputação e um prestígio adquiridos por muitos anos.
Saudosos tempos em que, no Botafogo pontificavam o árbitro Carlos Martins da Rocha, e no Fluminense, o Afonsinho de Castro, considerados na época expoentes das arbitragens. E aqui, nos faz lembrar, com real tristeza, a última arbitragem desse péssimo juiz de futebol que apitou o jogo do Botafogo no Morumbi, cujo nome nos recusamos a publicar aqui.
Ele era mesmo juiz?
Convém notar que as paixões no passado perturbavam os torcedores muito mais que hoje, e o pavilhão dos Clubes era, respeitado como um corifeu, somente cedendo lugar à bandeira nacional. Carlito expungia-se dessa flama o da paixão que conturbava todos e serenamente cumpria o seu dever, em que pese, como já foi dito, os "fogaréus que incendiavam seu cérebro botafoguense”.
Sua vida desportiva, como já frisamos, não cabe evidentemente num simples registro. Mas ao Carlito, um "homem do Botafogo” sobrava ainda tempo para ocupar cargos em entidades.
Foi o homem que salvou a CBD, empenhando-se em memorável campanha “pela, sobrevivência da entidade “mater”, mantendo mercê de seu trabalho junto a seus amigos desportistas estrangeiros, as filiações internacionais, concorrendo decisivamente para que a CBD, egressa de uma dura campanha,  surgisse vitoriosa da crise, retendo até hoje a hegemonia dos desportos praticados no Brasil.
Foi presidente da decana das federações brasileiras – a Federação Metropolitana de Remo, que conseguiu reerguer de uma crise em que agonizava o seu prestígio.
Foi benemérito de entidades e sua vida de desportista sempre foi pontilhada de assinalados serviços prestados ao Botafogo, clube onde se fez homem, dentro de um clima de lealdade e abnegação. "Pelo Botafogo, sem desfalecimentos, deu de coração tudo que pôde”.
Ao Botafogo dedicou sua mocidade, saúde, situação financeira. Seu nome e seus feitos ficarão inscritos na história do Botafogo com letras de ouro, sua biografia repetimos mais uma vez, não cabe neste simples resumo que tem um precípuo  objetivo: fazer que os moços de hoje e de amanhã do Botafogo conheçam "um homem do Botafogo". E um simples registro da sua vida coIhida apressadamente.

É ele o próprio Botafogo no seu passado, como um exemplo de desportista que dignifica e eleva. É uma legenda do Botafogo. E um símbolo a ser respeitado.

Ao Cemitério de São João Batista compareceram figuras de prestígio do Botafogo, de ex-presidentes ex-jogadores e funcionários. Por determinação  do presidente Charles Borer, que estava viajando, o Botafogo decretou luto oficial por três dias e todos os vice-presidentes e dirigentes estiveram no enterro e atletas uniformizados com as cores do clube. O caixão levou a nossa bandeira que ele tanto amou. Antes da partida contra o Mixto, em Marechal Hermes, o Botafogo pediu a todos um minuto de silêncio, o que ocorreu com o maior respeito e carinho.
No antiga sede de Wenceslau Braz, realizou-se uma missa de sétimo dia por alma de Carlito Rocha e também de Ney Palmeiro e Salim Simão, outros dois grandes botafoguenses  falecidos semanas antes. Nos jardins da antiga sede ainda está de pé a Capelinha inaugurada em 12 de agosto de 1964, onde Carlito Rocha costumava rezar pelo bem do Botafogo.


Fonte: Boletim do Botafogo no  de maio de 1961

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ADHEMAR ALVES BEBIANO


Morreu mais um grande homem do Botafogo. Faleceu no dia 26 de maio último aos 77 anos, o Grande Benemérito Adhemar Alves Bebiano. Sob este doloroso impacto registramos aqui o evento com o maior pesar. Poucos conhecem hoje detalhes do que representou o finado para aqueles da velha guarda.

Botafoguense de rígida têmpera, foi presidente de 1944 a 46, dando ao Clube uma situação de excepcional pujança na sua vida interna e as vitórias que as nossas brilhantes representações desportivas obtiveram constituíram páginas das mais gloriosas do Botafogo de Futebol e Regatas.
A superior visão administrativa de Adhemar Bebiano abrangeu todos os setores da nossa imensa organização, a todos beneficiando com planejamento eficiente e fiscalização segura.
Para as novas gerações temos a obrigação de relatar algumas realizações importantes da sua administração. O departamento de Copacabana, por exemplo, que tanto empolgou na época  foi uma delas. Sob a sua dinâmica administração foi contratado o serviço de iluminação para os jogos noturnos em General Severiano inaugurado posteriormente por Carlito Rocha.
No setor desportivo foi de excepcional relevo a campanha do Botafogo naqueles três anos de sua presidência, pois em todos os desportos de cujos campeonatos e torneios participamos, fomos campeões ou vice-campeões, retrospecto que fala muito alto do acerto de uma administração, da competência dos técnicos, da fibra e da eficiência dos antigos e valorosos defensores.
No futebol profissional o Botafogo foi vice-campeão nos três anos, sendo que os campeões variaram além de não terem participado como candidatos reais nas três temporadas, pois o Flamengo, campeão de 1944, não foi grande candidato em 1945, o Vasco, campeão de 1945 foi 5o  colocado em 1946 e o Fluminense, campeão de 1946.
Um verdadeiro padrão de eficiência foi a campanha do futebol profissional do Botafogo, tanto mais que o nosso quadro de reservas foi campeão de sua categoria em 1944 e 1945, além de vice-campeão em 1946. E mais um detalhe: Grande Benemérito e vice-presidente em 1947, teve as mais notáveis realizações, quando dotou o Clube de um plantel de jogadores profissionais muito bom, o que possibilitou a conquista, brilhante do campeonato de 1948.
E ainda tem mais. Em 1944 o nosso admirável quadro de amadores, obteve o título de tricampeão da cidade, não mais prosseguindo a sua carreira por ter sido extinta essa categoria.
Em basquete, campeão de 1944 e 1945, tetracampeão da cidade, e em 1946, vice-campeão, tendo sido considerado esse fato a maior surpresa do ano.
Em voleibol, vice-campeão em 1944, campeão em 1945 e 1946, bicampeão da cidade, além de vencedor dos torneios de 2a. divisão e feminino, 1a. e 2a. divisão.
Em natação, vice-campeão da cidade nos três anos, além de campeão em várias classes e vencedor de grande número de torneios.
Em pólo-aquático, bicampeão da cidade, alem de vários torneios e outras competições.
Em remo, 2o  colocado em todos as temporadas por vitória, além de vencedor de vários campeonatos de classe.

E assim foi em várias outras modalidades desportivas como no atletismo e na esgrima.

No setor das atividades sociais, Adhemar Bebiano também foi brilhante na, sua grande administração. Grandes festas foram efetuadas e várias iniciativas de interesse social foram tomadas com aprovação dos antigos associados. Consequência da orientação  imprimida pelo saudoso presidente às relações externas do Botafogo, nunca teve o nosso Clube tantas manifestações de estima e agrado por parte da imprensa e dos nossos co-irmãos, como no período da sua administração.
Por todos esses motivos, a decisão de Adhemar Bebiano em não continuar naquela época  na presidência do Botafogo, encontrou a mais decidida oposição em todo o quadro social, oposição essa que se manifestou de todas as formas e nas mais variadas oportunidades.
Adhemar Behiano, por ter motivos realmente sérios e obrigações imperativas, não pôde atender os apelos feitos, embora sempre afirmasse que estava disposto a cooperar com o novo presidente da melhor forma que lhe fosse possível; o Botafogo assim não ficou privado totalmente da colaboração de um dos maiores beneméritos, o presidente que uniu naquele tempo todos os botafoguenses, para.maior glória do Clube. Ele ainda foi vice-presidente nas administrações de Oswaldo Costa e Ibsen De Rossi, em 1947, 52 53 e ainda na presidência de outro grande botafoguense, P a u l o Azeredo, em 55, 57, 58 e 1959, também já. falecido. Na verdade, todos queriam ter a honra de possuir Bebiano a seu lado. E tinham reais motivos para isso.
Essa foi a grande figura que acaba de desaparecer para tristeza daqueles que tiveram a alegria de conhecer aqui no nosso Clube um exemplo de amor e compreensão a ser seguido, não diminuindo com isso as administrações de outros presidentes. Mesmo porque, confessamos, tivemos outros dirigentes, verdadeiros homens do Botafogo que prestaram também relevantes serviços ao Clube. Mas a vida de Adhemar Bebiano tem que ser ressaltada com os elogios que ela merece. Ele foi um legítimo Grande Benemérito do nosso Clube.
Infelizmente é mais um da velha guarda que morre e deixa o seu exemplo de fidelidade até o fim da sua existência aqui na terra. Foi até morrer um botafoguense apaixonado, nunca negando a sua condição de grande torcedor, muito embora os seus afazeres maiores nos tenham, ultimamente, privado de um maior convívio.
Adhemar Bebiano era um homem sem mágoa ou rancor, contra quem quer que fosse, agindo como um homem de bem como ele sempre foi. De opinião sincera e amigo, dentro da lealdade, pureza, exatidão, probidade e tudo mais de bom. Afastado 18 anos Bebiano visitou o Clube pela última vez, no dia 19 de agosto de 1977, indo ao campo de Marechal Hermes de onde saiu entusiasmado. Acompanhado de Marcelo Bebiano e do presidente Charles Borer, que foi busca-lo na Companhia de Tecidos Nova América - em Del Castilho, da qual era presidente, chegando às 8,45 quando os jogadores se preparavam para treinar. Visitou todas suas dependências, ainda em construção. Encontrou ali Zezé Moreira que foi jogador de um dos grandes times do Botafogo. Em Volta ainda o atual vice-presidente de futebol Rogério Correia, então exercendo as mesmas funções. Na ocasião, Bebiano perguntou por vários jogadores do passado e recordou, bem humorado, episódios do Perácio.
Antes de sair de Marechal Hermes, emocionado com as homenagens que lhe foram prestadas, Bebiano declarou à imprensa que ficara encantado com aquela visita. "Acho que foi um passo certo. Foi formidável para o local e para o Clube; Numa zona popular, o Clube ganhará contingentes novos de torcedores e, por outro lado, também traz grande progresso para este lugar. Cumprimento o presidente do Botafogo pelo passo que ele deu, pela coragem que demonstrou ao efetivar esta mudança 'para cá”, disse ele na ocasião.
Em novembro de 1963, outro grande Botafoguense, Paula Ramos, assim, se referiu sobre Adhemar Behiano, em trabalho publicado nesta revista:
“Ainda me lembro bem quando Bebiano surgiu no Botafogo. Moço de fina educação e vasta cultura literária e histórica, ninguém diria de início o que representava para o Botafogo a magnífica aquisição de Adhemar Bebiano. Tendo vivido grande parte de sua mocidade em Londres, ali cursou vários colégios e aprendeu a gostar do desporto e a conhece-lo, principalmente o futebol em seus detalhes. Naquela ocasião e ainda hoje, sisudo meio caladão, seus olhos vivos, protegidos por um par de óculos de lentes fortes, escondiam, perfeitamente, que homem aparecia no Botafogo. Ninguém o conhecia bem, e Sérgio Darcy vislumbrou, que atrás daqueles óculos e daquela figura de moço calmo, tranquilo plácido, vibrava um grande coração botafoguense".
Seu corpo, como não podia deixar de ser foi velado na Sala de Troféus  do Clube no Mourisco-Pasteur e foi enterrado com grande acompanhamento no domingo, dia 27 de maio, às 15 horas, no Cemitério São Francisco Xavier, com o caixão coberto com a bandeira do Botafogo, sua grande paixão na vida e de toda sua família.
Clube está de luto.

Fonte: Boletim do Botafogo no 243 de junho de 1984

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NEI CIDADE PALMEIRO


Morreu, no dia 26 de fevereiro deste ano, o ex-presidente e Grande Benemérito do Botafogo, Ney Cidade Palmeiro, aos 70 anos, desembargador aposentado e Reitor da UERJ. Na história da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Ney Cidade Palmeiro figura como um dos seus fundadores, integrante de seu primeiro Colégio Universitário (1952), um dois primeiros vice-reitores (1958), diretor da Faculdade de Filosofia durante 11 anos consecutivos (1949/1960) e da Faculdade de Serviço Social durante cinco anos (1964/1969). Foi nomeado reitor em janeiro do ano passado, para um mandato de quatro anos.

No magistério, sua atuação foi longa e intensa. Em 1930 ainda acadêmico de Direito, começou a trabalhar, como professor, no Instituto Lafayette. Por concurso, em 1939, chegou ao magistério oficiai, como professor de Sociologia do Colégio Universitário da Universidade do Brasil. Extinto esse estabelecimento, foi transferido para o Pedro II.
Professor de Sociologia há 30 anos na Faculdade de Filosofia da UERJ, lecionou essa disciplina também na Faculdade de Direito desde que a matéria foi incluída como disciplina curricular, tendo sido ainda titular da Faculdade de Humanidades do Colégio Pedro II.
Nascido em Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, em 19 de setembro de 1910, Ney Cidade Palmeiro ingressou na Faculdade de Direito da antiga Universidade do Rio de Janeiro em 1930, diplomando-se em 1933.
Depois de exercer a advocacia por vários anos, ingressou na magistratura na então capital federal, em 1951 mediante concurso de títulos e provas. Em 1972 foi nomeado desembargador, passando a integrar a 2a  Câmara Criminal.
Essa foi, de relance a sua vida, de grande saber jurídico, professor e criatura humana, qualidades por todos reconhecidas.
Como desportista, destacou-se como  presidente do Botafogo de Futebol e Regatas, de 1964 a 1967, quando se sagrou campeão, preocupando-se com a escolinha de futebol. Numa de suas entrevistas, sobre o Botafogo, disse: "A escolinha de futebol é meu grande sonho. Quero unir minha velha experiência de professor e desportista, no trabalho de formação dos futuros craques do Botafogo. Pretendo criar uma espécie de bolsa de futebol, pela qual todos os garotos terão assistência educacional, médica e alimentar durante todo o período de sua formação profissional”.
Gaúcho de Uruguaiana, veio muito cedo estudar no Rio e logo se tornou sócio-atleta do Botafogo, que deixaria pouco depois devido aos estudos. Em 1940, Ney Cidade Palmeiro voltaria ao Botafogo, na gestão do presidente Carlito Rocha, como membro do Conselho Fiscal. Na última administração de Paulo Azeredo, ocupou a vice-presidência e por várias vezes esteve interinamente na presidência. Eleito em 16 de dezembro de 1963, seria reeleito em mais dois períodos. Como presidente, Ney Cidade Palmeiro conquistou os títulos cariocas de remo, em 1964, e de futebol em 1967 - Campeonato Carioca e Taça Guanabara. Tetracampeão de
de atletismo de 1964 a 1967, dirigia o Departamento de Atletismo, Otávio Pinto Guimarães, atual presidente da FERJ.

Fonte: Boletim do Botafogo no 240 de maio de 1981
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 CÍDIO DA SILVEIRA CARNEIRO

Faleceu no dia 18 de agosto último o Grande  Benemérito CÍDIO DA SILVEIRA CARNEIRO, prestador de relevantíssimos serviços ao BOTAFOGO. Cídio ocupou diversos cargos importantes no Clube, como a Presidência do Conselho Fiscal e a Vice Presidência do Patrimônio, atuando na diretoria por 20 anos. Recebeu  a benemerência em 1963 e o título de Grande Benemérito em 1993. Filho caçula, tinha três irmãos almirantes, estudou no Colégio Militar, participou dos Maragatos (RS). 

Foi estivador de cais em Buenos Aires, incorporou-se a legendária Coluna Prestes,foi desenhista e jornalista, nomeado Consul de 3a e desistiu da diplomacia ante o choro da namorada.
Concursado do Banco do Brasil foi transferido para Recife por integrar a Aliança Liberal.
Foi combatente da Revolução de 30 no Recife e combateu também na Revolução Paulista de 32. 
A coragem, a determinação e a paixão deste grande e imortal botafoguense será exaltada para sempre no BOTAFOGO. 

FONTE: Revista do Botafogo no 253 de 1998

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  CANOR SIMÕES COELHO

No dia 24 de outubro último, faleceu o Grande Benemérito CANOR SIMÕES COELHO.

Atuou por muitos anos no BOTAFOGO, como Chefe de delegação do futebol e como representante do Glorioso em Minas Gerais. Após mudar-se para o Rio, tornou-se representante dos clubes mineiros nessa cidade. 
Recebeu a benemerência em 1983 e o título de Grande Benemérito em 1990. Jornalista foi assíduo colaborador da REVISTA DO BOTAFOGO. Grande botafoguense, foi um homem que integrou-se, vibrou e lutou pelo Clube que amou com fervor. 

FONTE: Revista do Botafogo no 253 de 1998
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CAMÉLIA COELHO NAUZ

Faleceu no dia 11 de setembro deste ano a Benemérita CAMELIA COELHO NAUZ. Prestou inúmeros serviços ao BOTAFOGO ao longo da sua vida.

Formava com a irmã SAMAR uma dupla botafoguense ímpar na história do Clube. Foram torcedoras, diretoras, atletas, conselheiras, faziam reuniões na residência da família que, por muitas vezes, serviu de concentração para equipes ele atletas de BOTAFOGO, especialmente do basquetebol feminino. Ultimamente, a doce senhora Camélia integrava o Conselho Deliberativo e era presença certa nas partidas de futebol profissional do BOTAFOGO no Rio. Fica a saudade e a memória de uma paixão que, temos certeza, ultrapassará  tempo e dimensões.  

Fonte: Revista do Botafogo no 253 de 1998
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   Técnico Cuca e José Machado da Silva

 Funcionário do clube se encontra com Cuca José Machado da Silva ajudou o técnico na preleção de antes do jogo contra Vasco.

Foto: Leandro Menezes

José Machado, funcionário do clube e que foi utilizado por Cuca na preleção de antes do jogo contra o Vasco.

O Botafogo viveu uma quinta-feira de emoção. No dia seguinte da vitória sobre o Vasco por 4 a 1, nos pênaltis, depois de empate em 4 a 4 no tempo normal, o técnico Cuca encontrou-se com o administrador do CT João Saldanha, João Machado da Silva, que participou da preleção antes do jogo de quarta-feira.
Os dois conversaram por algum tempo e o funcionário do clube agradeceu ao técnico alvinegro a oportunidade que teve de ajudar o time a ganhar em campo. Seu Machado, como é conhecido no clube, está com dois meses de salários atrasados, assim como todos os funcionários do clube, e Cuca o usou como exemplo para motivar seus jogadores.
- Foi uma surpresa poder participar da preleção de Cuca. Ele me chamou na terça-feira e disse para eu convocar todos os meus funcionários para irem ao Maracanã, mas não sabia o motivo. Quando chegamos lá fomos levados para o vestiário e falamos com os jogadores sobre os nossos problemas. Falei que tinha 72 anos, que tinha trabalhado com Garrincha, Didi, Nilton Santos e tantos outros jogadores, e que nunca tinha visto um grupo tão unido - revela Seu Machado.

Fonte: GloboEsporte.com
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NOME: JOSÉ  MACHADO DA SILVA

NATURALIDADE: Natividade, RJ

NASCIDO EM: 13 de março de 1935

INGRESSOU NO BOTAFOGO EM: 27 de fevereiro de 1956

Nosso querido Machado está com o BOTAFOGO há 35 anos, iniciou no Clube como responsável pela concentração dos jogadores profissionais, na época em General Severiano. Teve como diretores os inesquecíveis Renato Estelita e João Saldanha. Ficou nesta posição até o final de 1957, "quando o BOTAFOGO conquistou o campeonato, com uma histórica goleada no Fluminense. Foram 6 gols contra 2; cinco de Paulinho Valentim e um de Mané Garrincha”. Nosso Machado exerceu diversas funções no Clube até que, em 1972, foi transferido para a sede do Mourisco, na função de Assessor do Departamento Técnico de Desportos Terrestres. Zeloso em seu trabalho, ele manteve sempre atualizado o expediente do Setor, muito importante para o Clube. Eficiente e dedicado, teve seu nome lembrado, pela atual Diretoria, para trabalhar como Administrador de Caio Martins, onde tenta organizar as coisas em favor do BOTAFOGO. Em seus 35 anos de Clube, Machado nos conta que suas maiores alegrias na vida foram: “ser funcionário do BOTAFOGO, parte de sua vida; ter participado, direta e indiretamente, na conquista de muitos títulos para o Clube, principalmente do Bí-Campeonato de 1989/90; ter feito, através do seu trabalho, grandes amizades". Machado falou também de suas maiores tristezas, que foram: Perda de grandes Botafoguenses, como Ney Palmeiro, Paulo Azeredo, Ademar Bebiano, Sergio Darcy, Alceu Castro, Carlito Rocha e seu grande amigo Seu Artur. Outra grande tristeza, para Machado, foi a perda da Sede de General Severiano, onde ele viveu 16 dos 35 anos dedicados ao BOTAFOGO.

 Nosso Machado é muito bem casado com a Sra. Nely Machado, fervorosa torcedora e ex-atleta do nosso Clube. O casal tem dois filhos: Fabiano e Telma, botafoguenses apaixonados, como seus pais.

Fonte: Botafogo de Futebol e Regatas – Ano III – no 8 – Publicação bimestral - 1991
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Botafogo lamenta morte de seu Machado, funcionário mais antigo, e homenageia

É com profundo pesar, que o Botafogo de Futebol e Regatas comunica e lamenta a morte de José Machado da Silva ou seu Machado, como conhecido, na manhã deste sábado.
No clube desde 1° de abri1 de 1956, era o funcionário mais antigo e, no seu último cargo, Administrador do CT João Saldanha. Querido por atletas, dirigentes e funcionários, conquistava a todos com uma educação impar e esforço continuo de promover o bem e o melhor para o clube.
Trabalhou de perto com os maiores jogadores da história do clube, entre eles Garrincha, Didi e Nilton Santos, de quem sempre lembrava com orgulho. Por toda a sua experiência, era um grande transmissor dos valores e grandeza do clube para os atletas que chegavam, um importante figura em um clube tradicional como o Botafogo.
Por tudo o que representava, foi contemplado pelo conselho Deliberativo com o título de sócio honorário. Aos 81 anos, parte para encontrar nossos grandes ídolos e deixa muita saudade, tornando-se um exemplo para os funcionários que carregam, todos os dias, a Estrela Solitária no peito.
O Botafogo decreta luto oficiai e hasteia sua bandeira a meio-mastro em General Severiano. O clube manifesta sua solidariedade aos familiares e amigos de seu Machado, este grande botafoguense que nos deixa.

Para conhecer mais sobre ele, relembre uma entrevista dada ao site oficial.

Quando chegou ao clube?

SM: 1° de abri1 de 1956

Por que está há tanto tempo no Botafogo? '

SM: Por duas razões principais: sou botafoguense de coração e esta casa e maravilhosa.

Quais os jogadores você já viu passar por aqui?

SM: Grandes jogadores de todas as gerações vitoriosas do clube a começar pelo gênio Mané Garrincha, Niiton Santos, Didi, Adalberto Leite, Paulo Valentim, Quarentinha, Mauricio, Mazolinha, Mauro Galvão, Túlio e todos os craques de 1995. Fica até complicado lembrar assim, tenho receio de esquecer alguém (risos).

Quais os grandes momentos vividos no clube?

SM: Vivi, realmente, bons e maus momentos. Mas prefiro ficar com os bons.  O melhor momento que passei no clube, em toda a história, foi o titulo estadual de 57. Fomos campeões e fiz parte do grupo de apoio do técnico João Saldanha e de
Paulo Amaral. Eu era a pessoa responsável por tomar conta da concentração.
Guardo bem esta data pois foi com este titulo que passei a amar o Botafogo com toda a minha força.

Um jogo inesquecível?

SM: Titulo carioca de 1962. Estava lá no estádio, quase apanhei. Quando o Garrincha fez o gol, sai gritando, pulando, comemorando. Em seguida, veio um flamenguista e me puxou pelo pescoço. Por pouco não me bateu.

Um jogador preferido?

SM: Ah, não tem como não escolher o meu velho Nilton santos. Foi e é muito  importante para todos nós. Vida longa para ele.

Qual a emoção ao ver o Botafogo campeão Brasileiro em 1995?

SM: Aquele grupo era muito bom. Tive uma sensação indescritível. Momento que 
será lembrado o por mim para sempre, aquele grupo de jogadores era realmente muito especial. Eram diferenciados.

Um recado para os torcedores alvinegros?

SM: Vocês, torcedores, estão de parabéns. Sem a torcida este time não vai a lugar algum. Tem que apoiar mesmo. Tudo na vida e assim, este eterno perde e ganha. Mas temos que confiar e apoiar sempre.

Fonte: Site FogaoNet 28/O8/2016 14h59


Nota Pessoal: Conversávamos muito desde o tempo em eu era apenas um sócio que todos os domingos estava lá no Mourisco para praticar basquete ou voley, que era meu esporte preferido.  Era a ele a quem recorríamos para ter acesso as bolas, tanto de basquete quanto de voley, para podermos jogar.  Tempos depois nosso convivio foi mais estreito quando fui trabalhar na sede do Mourisco. Trabalhei por vários anos  e nessa época José Machado era o Gerente Geral. 

Nessa época nosso convívio foi mais estreito pois estavamos junto durante todo o dia e a noite tambem pois tanto ele como eu na época não tinhamos horário fixo pois se tinha jogos tinhmos que ficar no Clube. Pessoa sempre presente, extremamente educado e gentil, prestativo e zeloso com suas funções procurava ajudar da melhor forma possível a todas as demandas que a ele chegavam. Nunca faltava ao trabalho e era estimado e respeitado com todos. Sabia agir com rigor quando a situação assim o exigia. Raras foram as vezes que o vi irritado e era assim quando as coisas não funcionavam bem. Muitas saudades.

Angelo Antonio Seraphini 10/03/2020

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LUIZ DESIDERATI



Quem não o conhece? É hoje uma figura conhecidíssima no dia-a-dia do Botafogo, tornando-se mesmo uma figura quase popular na comunidade alvinegra. Simpática e inteligente. Pelo seu jeitão, falando, desinibido, parece entender de tudo, questiona tudo. Faz questão de entrar em qualquer contenda, de mostrar seus conhecimentos. Debate as coisas com ardor, para persuadir. Uma pessoa muito curiosa e discutida.
Há quem afirme que Desiderati nunca foi Botafogo. Mas, na verdade, depois que deixou a presidência do São Cristóvão de Futebol e Regatas, foi admitido aqui como sócio efetivo em 1969, passando logo depois para a categoria de sócio proprietário e vem colaborando até hoje em várias diretorias. sem dúvida, um trabalhador tenaz, infatigável. Um pé-de-boi como se diz na gíria. Atualmente, em continuação da presidência anterior, como vice-presidente administrativo, passa o dia no Mourisco Pasteur e está em toda parte onde se torna necessária a sua presença, inclusive em Marechal Hermes, em dia de jogo. O homem não pára. Procura resolver qualquer problema. Ainda agora nas eleições do Clube  ele foi responsável pelas providências determinadas pela presidência e tudo correu muito bem. Foi eleito membro do novo Conselho Deliberativo. Se tem seus defeitos quem não os tem? Uns mais e outros menos. Ninguém é perfeito. O seu currículo procuramos saber, aqui e fora do Botafogo. Segundo vejamos:

Nascimento: 20-06-1927 Registro: 22-6-1921.

Funcionário da Justiça do Trabalho Ativo.

Professor de Desenho, registrado no MEC - 18.974.

 Advogado inscrito na OAB, seção Guanabara, sob o no 9.826

VIDA ESCOLAR

Curso Primário - 1936 a 1940 - Colégio 1.7 - Prudente de Moraes (PDF) – orador oficial do Centro Cívico Bartolomeu de Gusmão; orador da turma - 1940: Curso Ginasial – 1941 a 1944 Instituto Lat Fayette. 2o  3o anos. Colégio de Itajubá. (Itajubá. - Sul de Minas): Curso Superior - 1948 1o e 2o anos - Instituto Eletro-técnico de Itajubá, (IEI)  Escola Nacional de Engenharia (UB) - Faculdade de Direito da Universidade do Distrito Federal.

SERVIÇO MILITAR
- 1945; Reservista de 2a  categoria pela EIM - 307; Recebeu medalha de honra ao atirador, por disciplina: orador da. turma.

CARGOS QUE OCUPOU
 - Auxiliar de Gabinete dos Ministros de Educação: Antonio Oliveira Brito; Antonio Balbino: Cândido  da Mota Filho; Abgard Renault; Edgard Santos; Oficial de Gabinete de Erasmo Martins Pedro – 1o  Secretário Geral do  Interior e Segurança do Estado da Guanabara; Oficial de Gabinete do Ministro da Indústria e Comércio- Antonio Balbino - 1963 e 1964.

EM ITAJUBÁ

 - Presidente do Diretório Acadêmico Theodomiro Santiago - 1947: Representante de Turma (IEI) - 1950.

Na Escola Nacional de Engenharia da  UB.

 - No Diretório Acadêmico – Diretor Social - 1951; na Associação Atlética Acadêmica - Diretor de Publicidade - 1951: Vice-Presidente - 1951.

Na Faculdade do Direito da UDF

 - Representante de Turma -  1955.

No Tijuca Tênis Clube

 - Diretor de Propaganda - 1953/1954: No São Cristóvão de Futebol e Regatas - Secretário do Conselho Deliberativo - 1953 ; Presidente de maio/1967 a fevereiro/1970. No Clube dos Tatuís - Presidente; No Botafogo de Futebol e Regatas - Diretor Administrativo e Vice-Presidente Administrativo; Na Liga Atlética de Copacabana – Presidente; Na Liga Esportiva do Leblon - Presidente; Na Federação Atlética de Estudantes - Entidade máxima do esporte universitário do antigo Distrito Federal – 1o  Secretário – 1950; Secretário Geral – 1951; Presidente
- 1952; Membro do Conselho de Julgamentos em 1953/1954/1955; Proclamado Benemérito em 1953;  Na Federação Carioca de Esportes de Praia - Presidente: Benemérito; Na Federação Metropolitana de Basketball - Diretor do Propaganda - 1955; Na Federação Metropolitana de Atletismo – Juiz desde 1950; Na Federação Carioca de Futebol de Salão - Juiz do Tribunal da Justiça Desportiva durante 6 anos a até maio de 1967; Na Federação Metropolitana de Volleyball - Juiz do Tribunal de Justiça Desportiva, por 6 anos e até maio de 1970: Na Confederação Brasileira de Desportos Universitários (Entidade máxima do esporte universitário)  Presidente 1952 - 1954; No Federação Internacional de Esporte Universitário - FISU – 1o  Vice-Presidente, 1953 - 1954 (Primeiro universitário brasileiro a ocupar este posto); Auxiliar da Defensoria Pública do Ministério Público, durante 3 anos.

Condecoragões: Medalha Santos Dumont (Ministério da Aeronáutica); Medalha D. João VI (Polícia Militar); Cavalheiro Oficial da venerável Ordem dos Cavalheiros de S. Paulo Apóstolo; Medalha Clóvis Beviláqua (Ministério da Educação): Medalha do Mérito Desportivo: Medalha da Princesa Isabel, a Redentora.

Várias: Possui recomendação fornecida pelo "Curso do Brasilidade" do Departamento de Educação de Serviços Holleritt - 1942; Chefiou a 1a  Delegação Universitária Brasileira a comparecer em Jogos mundiais universitários - 1953, em Dortmund - Alemanha Ocidental, por ocasião dos VI Jogos Mundiais Universitários; Chefiou, ainda, várias delegações esportivas e naturais.

Fonte: Boletim do Botafogo no 244 de novembro de 1984

Nota pessoal: 
Quando trabalhei no casarão da rua General Severiano o sr. Luiz Desiderati já estava lá há muitos anos. Sério na maioria das vezes, sarcástico e bem humorado em outras. Levava muito a sério suas funções sempre ligadas a diretoria. Atuava em todas as áreas. Procurava solucionar todos os problemas com dedicação e retidão. Nunca se separava de seu cigarro (sempre utilizou piteira como se dizia antigamente). Sempre elegantemente vestido com sapatos de verniz, camisa social de mangas curtas e sua inseparável maleta 007.
Tambem representante da Federação de Fubebol do Rio de Janeiro e estava presente em todos os jogos no Maracanã. Várias vezes foi filmado na beira do campo tomando providencias relativas aos jogos. O sr. Luis Desiderati faleceu em 22-10-2004.
Angelo Antonio Seraphini 10/03/2020
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A imagem pode conter: texto que diz ""O FUTEBOL É MUITO SIMPLES: QUEM TEM A BOLA ATACA; QUEM NÃO TEM DEFENDE." NENÉM PRANCHA MUSEU DO DO FUTEBOL"

   Neném Prancha

Poucos conhecem Antônio Franco de Oliveira, que foi um grande revelador de talentos nas décadas de 1940 e 1950 no Botafogo. Mas se falarmos seu apelido, Neném Prancha (Resende-RJ, 16/06/1906 – Rio de Janeiro, 17/01/1976), aí sim: muitos dirão que foi um dos grandes caça-talentos, principalmente para o Botafogo. Uma de suas mais famosas descobertas foi o irrequieto craque Heleno de Freitas, cuja biografia foi escrita pelo rubro-negro Marcos Eduardo Neves, e tendo sido representado no cinema por Rodrigo Santoro.
Neném Prancha foi roupeiro, massagista, olheiro e técnico de futebol. Além de descobridor de talentos, ficou mais famoso por suas frases de efeito, o que lhe rendeu a alcunha de O Filósofo do Futebol, conferida pelo jornalista Armando Nogueira, torcedor do Botafogo. Muitas das tiradas cômicas atribuídas a Neném Prancha, na verdade, foram de são de outros autores, como o jornalista e alvinegro João Saldanha.
O próprio Neném Prancha explicou a origem da famosa frase “pênalti é uma coisa tão importante, que quem deveria bater era o presidente do clube”. Ele diz: “O que eu falei foi que pênalti é tão fácil que até o presidente pode bater”.
Outra frases de Neném Prancha:
“Goleiro que é bom dorme com a bola, se for casado, dorme com as duas”.
“Futebol não tem mistério: quem está com a bola ataca, quem não está se defende”.

Fonte: Solidário Portal de Notícias
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O maior filósofo do futebol brasileiro está esquecido. Chamava-se Neném Prancha, isto é, mais precisamente, Antônio Ferreira Franco de Oliveira. Autor de frases folclóricas – “Se macumba ganhasse jogo, campeonato baiano terminara, sempre, empatado; Se concentração fosse bom, o time da penitenciária não perderia uma partida; Goleiro deve dormir abraçado à bola. Se for casado, com a bola e a mulher” – ele tentou ser craque, mas logo viu que não dava, complicando a vida de um time peladeiro chamado Carioca.
Para não ficar longe da pelota, ele trocou os gramados, pelas areias da praia de Copacabana, e foi ser treinador de crianças e adolescentes. Dizia sentir se o boleiro era craque “pelo cheiro”. Tanto que descobriu cracaços como Heleno de Freitas, eterno ídolo do Botafogo, e Leovegildo Júnior, lateral flamenguista que disputou duas Copas do Mundo-1982/86.
Filho de biscateiro com uma empregada doméstica e nascido em Rezende-RJ, o filósofo Neném Prancha era alto e forte, tipo parrudão. As mãos mediam 23 centímetros de comprimento e os sapatos de n úmero 44 foram os responsáveis pelo apelido de “pranchático”. Sempre usando uma boina, bronqueava duro com quem não o obedecia, taticamente. Vaidoso, quando teve problemas com as vistas, recusou-se a usar óculos.
Para o Botafogo, trabalhou com os seus garotos infanto-juvenis, sem se contentar em ser apenas roupeiro e massagista do departamento de atletismo. Nas horas vagas, era olheiro.
Alguns pesquisadores da história do futebol brasileiro sustentam que nem todas as frases atribuídas a Neném Prancha saíram de sua cabeça. Teriam sido criações dos jornalistas Sandro Moreyra, Lúcio Rangel, Sérgio Porto, o “Stanislaw Ponte Preta”, e João Saldanha, que faziam de tudo para divulga-lo. Já houve até quem garantira nunca ter existido um tal de Neném Prancha, jurando ser personagem do Saldanha.
O certo é que ficaram na sua conta frases eternas. Anote: 1 – “O meu jogador é “indisplicente”, mistura de indisciplinado com displicente”; 2 – “Futebol não deve ser jogado pelo alto, pois a bola é de couro, que vem da vaca, que come grama”; 3 – “Goleiro é dono de posição tão amaldiçoadas que, onde ele pisa, nem nasce grama”; 4 – “Pênalti é algos tão importante que deveria ser batido pelo presidente do clube”.
Na verdade, Neném Prancha não falou última esta frase acima e que é considerada a “máxima das máximas” do folclore do futebol brasileiro. Ele contou a Ronald Alzuguir, um dos seus atletas nos times de base botafoguense, que falou, na verdade, isso “Pênalti é tão fácil (de cobrar) que até o presidente do clube pode bater”. As versões ficam por conta de Sandro Moreyra e João Saldanha, principalmente.
Neném Pranha passou 69 temporadas neste planeta, tornando-se uma pessoa espiritual em 1976, levado por um enfarto, quando estava internado em um hospital do bairro de Botafogo. Assim com nasceu, partiu pobre de grana, mas rico de fama, histórias e lendas.

Fonte: Site Jornal de Brasilia
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DOROTEU

O "HOMEM MAU"
DO BOTAFOGO

Quem no BOTAFOGO, ou adjacências, não conhece o Doroteu? Todo mundo o conhece, ha muitos anos. Tornou-se uma figura popular. É tido como o "homem mau” do BOTAFOGO. A simples presença do Doroteu, no Portão 2, da Rua General Severiano, amedronta qualquer garoto, principalmente nos treinos e dias de jogos. Ele nunca abandona seu posto. É um homem telhado para o cargo. Muitas vezes, a garotada reage, mas o Doroteu faz prevalecer sua "autoridade". A função é realmente ingrata. Entretanto, pouca gente conhece sua estória..

Doroteu Alfredo da Costa Filho é o seu nome, é filho de um Oficial da Marinha e de D. Rosalina da Costa, nasceu no dia 20 de março de 1902, é casado, tem quatro filhos, dois homens e duas mulheres, e o mais velho tem 39 anos de idade. Há, muito, desde menino, é torcedor do BOTAFOGO, isto é, desde o tempo quase da sua fundação, no Largo dos Leões, eis que, naquela época, morava na rua S. Clemente, na Avenida Maria Clara, ainda existente. Conheceu todos os fundadores do BOTAFOGO e nunca mais deixou de acompanhar a evolução do clube, quando, então, a partir de 1927, ininterruptamente, começou a prestar serviços, recebendo gratificações a titulo de pagamento. Como empregado, a sua carteira profissional traz o registro de admissão datado de 2 de fevereiro de 1944, com vencimentos iniciais de 600,000 cruzeiros velhos e hoje percebendo 192 cruzeiros novos.
E o empregado mais antigo do BOTAFOGO, de futebol, com exceção do seu colega Francisco de Andrade, que veio com a fusão, ainda hoje servindo na sede náutica de Sacopã. Doroteu ocupa hoje a função de Zelador do Estádio, daí ele está sempre envolvido com a garotada, zelando pelo patrimônio do clube, como é a sua obrigação. Tem perfeita noção de disciplina e respeito, nunca tendo sofrido qualquer punição, na sua já, longa vida de servidor do BOTAFOGO.

Apesar do seu aparente mau humor, trata a todos com afabilidade. Seu tom de voz , quando fala, dá da sempre uma falsa impressão. Fica, realmente, aborrecido, quando há insubordinação ou alguma infração que o prejudique na sua função de zelador. A própria natureza do seu trabalho exige certa energia, eis que é difícil lidar com criança. Daí a sua fama de "homem mau”, o que, na verdade não se justifica. Muita gente não gosta de suas atitudes, mas ele declara que nunca ofendeu ou maltratou ninguém. Conheceu várias gerações dentro do clube e desfilou uma porção de nomes. Gente que viu crescer e hoje são homens casados com filhos e que ainda freqüentam o BOTAFOGO. Fez durante esse longo tempo grandes amizades, citando, por exemplo, os nomes de Ademar Bebiano, Paulo e Silva, Ibsen De Rossi o outros. Lembrou ainda a época do amadorismo, quando não havia dinheiro e o jogador mandava comprar até o sabonete para o banho, depois do jogo. Até ele mesmo fazia as suas despesas em beneficio do clube.


UM ROSÁRIO DE
ACONTECIMENTOS

Não se queixa, não reclama de nada. Acha tudo muito bom. Diz que ninguém é perfeito, todos têm seu defeito. Tem a propósito da sua cara feia, de brabo, inúmeras estórias. Contou uma interessante, pela profecia feita e realizada. O Jairzinho, hoje craque do BOTAFOGO e das seleções, desde garoto, morou na rua General Severiano, onde jogava bola na rua, provocando, muitas vezes, atritos com o Doroteu, que proibia inclusive a entrada de Jairzinho nas dependências do clube. Numa dessas "brigas", Jairzinho o ameaçou dizendo que um dia seria jogador do BOTAFOGO e se vingaria então do Doroteu. Não demorou muito tempo e Jairzinho, pela mão de Nilton Cardoso, filho de Gentil Cardoso, tornou-se campeão pelo juvenil do BOTAFOGO. Efetivou-se,  a profecia, mas não aconteceu até hoje a ameaça então feita. São amigos. No futebol, acrescentou, foi amigo de antigos craques, citando, entre outros, Zezé Moreira, Aimoré, Pamplona, Alvaro, Perácio, Carvalho Leite, Rene, Heleno, Nariz, Tovar, Otavio, etc.


NO “ESQUADRÃO
DA MORTE "

Agora, sempre caladão, Doroteu não para de falar, vai se entusiasmando e começa a contar inúmeros casos na vida do BOTAFOGO, quando inclusive sofreu varias prisões em campo de futebol como torcedor, que não admitia nenhuma provocação. Quando o BOTAFOGO perdia, podia contar que o Doroteu era preso. Foi, incontestavelmente, o primeiro chefe da nossa torcida em companhia do falecido Renato, antigo funcionário da Câmara dos Vereadores. Na época, como alegou, a torcida do BOTAFOGO era conhecida como a do “Esquadrão da Morte”, tal o seu "apetite". A briga, muitas vezes, começava antes, não chegando mesmo a assistir ao jogo. Lembra-se, por exemplo, de um jogo em Bangu, quando a torcida enfrentava heroicamente as pedradas nos ônibus e trens. Na arquibancada, cuspiram-lhe na careca. Topou uma “parada” dura e foi levado a Delegacia local. Revidara, sem saber, uma agressão policial. Mas, exigindo que a referida autoridade também fosse autuada, ficou tudo dito por não dito.
Aliás, informou, o comissário de dia era também torcedor do BOTAFOGO. Isso acontecia em todos os campos de futebol. Nunca ficou preso graças ao seu amigo, então Delegado de Polícia, Paulo e Silva, grande botafoguense. Hoje não, está tudo mudado, as torcidas ficam separadas, é uma beleza. Não há mais invasões de campo.

Por fim, esclareceu que ainda vai a tudo que é jogo do BOTAFOGO, mas sem confusão, e que toda a sua família, inclusive seus netos, é constituída de torcedores do clube, sem nenhuma coação, espontaneamente.

Assim, é o Doroteu, mais conhecido como o "Homem mau” do BOTAFOGO, mas que, na realidade, não passa de um indivíduo humano, de gestos generosos, benquisto por todos e muito considerado pelos seus colegas.

Fonte: Boletim Oficial do Botafogo no 220 de novembro de 1969

NOTA PESSOAL: Como já disse anteriormente, eu não perdia um jogo no campo de General Severiano, sendo profissional ou não e em todos os jogos lá estava o Doroteu nos intervalos à “disciplinar” a garotada que invadia o campo. Era uma missão quase impossível pois controlar 10 ou mais garotos ávidos em jogar uma “pelada” num campo de futebol profissional, mas lá estava ele correndo atrás da gurizada para que o jogo começasse. Sua fama de mau era justamente pelo seu semblante sério que, para quem não o conhecia, parecia estar sempre de mau humor. Era um momento a parte, como o jornal do Luiz Severiano Ribeiro nos cinemas (eu fazia questão de chegar cedo aos filmes para não perder o jornal), assistir ao Doroteu correndo atrás da garotada. Missão completamente desigual face a idade dele e a dos garotos, mas não faltava disposição e perseverança de ambas as partes. A torcida sempre estava do lado da garotada, e ria muito a cada drible que o Doroteu levava, mas no final tudo se acertava com paz e muita mas muita correria.

Ângelo Antonio Seraphini 11/03/2020
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Jair Gustavo Garcia
A VIDA DE UM ROUPEIRO

Chegou a vez da gente falar de Jair Gustavo Garcia, esse antigo e dedicado funcionario do Botafogo. Ele bem merece essa nossa homenagem em atenção aos bons serviços que vem prestando ao clube, quase no anonirnato. Poucas pessoas podem julgar o valor do seu trabalho, da mão-de-obra na execução da sua função. É outro "herói anonimo” que muito contribue para as vitórias da equipe.

Ele hoje está com 49 anos de idade e tem 23 de vivencia no BFR, mas apenas com quinze assinalados na sua carteira profissional.

Trazido pelo saudoso Renato Estelita, Jair começou, aqui, tomando conta da antiga concentração do clube na Avenida Niemeyer e há muito, é chefe da rouparia. Ele se firmou nessa dificil e complicada função, de responsabilidade em qualquer grande entidade esportiva. E isso, no futebol profissional, ele exerce com o maior carinho, merecendo os maiores elogios pelo cuidado e organização com o material dos jogadores.

Para se ter uma noção exata do que é esse mistér, torna-se necessario que a pessoa conheça de perto todos os seus afazeres. Não é facil lidar com jogador profissional que, na sua grande maioria é exigente em tudo. É preciso muito  tato no seu atendimento, nos treinos na na hora que precede as partidas, lá no vestiário. A responsabilidade da chuteira, meia, calção, camisa, toalha e tudo mais, recai sempre sobre o roupeiro. Tudo tem que estar em ordem e na hora certa.

É uma mão-obra tremenda cansativa, e vem desde a lavanderia. Nada pode atrasar nem deixar de satisfazer as necessidades do time escalado e seus reservas. Pois bem, o Jair é, pode-se dizer, perfeito em tudo isso. É um homem de grande experiência. Nunca falta nada. Ele faz tudo com agrado geral, sem provocar grandes reclamações. Na nora, ele chega sempre antes, está tudo pronto, em ordem, e cada jogador vai apanhando seu material todo ele muito bem tratado. E isso sem a menor confusão, na mais perfeita distribuiçao. Jair atende ao jogador como a uma criança.

Depois do jogo, o mesmo trabalho, o mesmo controle do material usado. E o pior é quando tem que cobrar uma camisa desaparecida, desfalcando o jogo. A determinação, as vezes, é cobra-la do jogador. São, geralmente, três grandes sacos, transportados para o vestiário  inclusive quando em viagem. Aí, então, o trabalho é maior. Sentiram bem a mão-de-obra desse serviço? Não é fácil não. Cá fora ninguém sabe o que seja a preparação, até o vestiário, de um time para entrar em campo, e isso até nos treinos. Mas Jair vive o seu "pró-
prio mundo".

Apesar de tudo isso, ele está satisfeito, não ,tem nenhuma queixa, nem reclamação a fazer. E diz que todos sempre lhe tratam muito bem.

Jair também tem a sua opinião. Ele, por exemplo, também acha que os melhores times do Botafogo foram os de 1957 e 1962 e que o maior jogador que conheceu foi o “seu” Mane.

Esclarece, por sua vez, que a sua maior alegria foi o bi-campeonato de 67/ 68. E que a maior tristeza foi em 1971 quando o Botafogo, que dependia apenas de um empate, acabou perdendo, irregularmente, para o Fluminense, quando faltavam poucos minutos para acabar o jogo.

Por fim falando muito pouco, informa que nunca teve problema com nenhum jogador e que o atual plantel é ótimo para se trabalhar, são todos uns garotos. Todos brincam mas, com o
maior respeito. Nunca se sentiu ofendido por nenhum deles. É que ele tem muita paciência para o exercicio da função, nunca se afobando. Prepara, por isso, tudo com o devido tempo.

Acha que o melhor técnico para se lidar é, sem dúvida, o Zagalo, e isso desde o juvenil quando o conheceu.

E nada mais conseguimos ouvir do Jair um cara muito caladao. Nosso respeito e justo agradecimento, apontando-o ainda, a seus colegas como o exemplo de dedicação, disciplina e amor ao trabalho.

Fonte: Boletim Oficial do Botafogo no 233 de março/junho de 1978
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Luiz Aranha

Luiz Aranha soube conviver com o mundo no dia-a-dia; para conviver foi que viveu. Sua grandeza existiu nesta verdade. Agora, sua morte faz-me desviver. Com ele partiu um fulcro partido por uma doença longa e imisericordiosa. Sua grandeza não era apenas corporal, era ele alma e espirito. Quando lhe pediam, a ninguém sabia dizer não. O “sim”, sintético, era a verdade da sua boca, da sua palavra, da sua vontade de servir sem olhar a quem.
Admirava-lhe o espirito dinâmico, arguto, brilhante, persuasivo, envolvente. Seu verbo, como uma chave, abria os corações emperdernidos. Sinto o umedecimento dos meus olhos quando recordo a multidão dos bens por ele distribuidos neste vale de lágrimas. No Botafogo fez-se idolo e nos desportos brasileiros Patrono. O País esteve nele representado como vice-presidente da FIFA; foi o primeiro de nossa Pátria a subir tão alto na direção mundial do futebol.

O vozeirão inflamava-o, mas a blandicia, a ternura ou o carinho logo aparecia nas interjeições para compassar-lhe os ímpetos sem ácido. Como sabia sentir as pequeninas grandes coisas da viela nos braços e abraços de todos nós! Um outro saudoso amigo dizia ser ele como uma praia onde fossem ter riquezas ocultas no mar, inclusive pérolas.

As gerações novas ignoram quem ele foi. Mas posso afirmar que, enquanto no cenário desportivo ninguém o superou a serviço da paz e da grandeza do Brasil. Sua inteligência brilhava onde estivesse. E quanto era fabuloso na lealdade! À mesa de comunhão, repartia as particulas da confiança a todos os crentes. Mas nunca soube escravizar quem se une aos outros por amizade, verdadeira, aprofunda o sentimento no mutualismo da afeição.

Luiz Aranha soube conquistar o coração de toda gente. Mas, agora (Deus do Céu), toda a gente chora sua morte.

("Jornal dos Sports”, de 7-4-73)
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Jefferson de Oliveira Galvão

Jefferson de Oliveira Galvão (São Vicente, 2 de janeiro de 1983), mais conhecido simplesmente como Jefferson, é um ex-futebolista brasileiro que atuava como goleiro.

Apelidado de Homem de Gelo, tamanha sua frieza durante os jogos e treinos,foi considerado um dos melhores goleiros do Brasil de sua época, especialmente durante a década de 2010. O arqueiro iniciou a carreira profissional no Cruzeiro e chegou a se aventurar pelo futebol europeu, atuando em duas equipes da Turquia, mas tornou-se ídolo no Botafogo, clube que defendeu por doze anos, entre 2003 e 2005, antes de ser negociado com o Trabzonspor, e depois de 2009 a 2018. Com 459 partidas pelo Glorioso, Jefferson é o terceiro jogador que mais vezes vestiu a camisa do Botafogo, atrás apenas dos dois maiores atletas da história do alvinegro, Nilton Santos e Garrincha. É também o recordista de aparições no Estádio Nilton Santos, com 148 jogos disputados.

Pelo Botafogo, foi três vezes campeão estadual e conquistou também a Série B.Durante sua segunda passagem pela equipe carioca, foi eleito por duas vezes o melhor goleiro do Campeonato Brasileiro, em 2011 e 2014. Também em duas ocasiões, foi considerado o melhor de sua posição no Campeonato Carioca, em 2010 (ano em que recebeu também o prêmio de melhor jogador da competição) e 2013. Após anúncio no início do ano, aposentou-se do futebol profissional no dia 26 de novembro de 2018, aos 35 anos, depois de três temporadas perseguido por lesões que o impediram de jogar regularmente.

Jefferson também foi goleiro da Seleção Brasileira, a qual defendeu em 22 oportunidades. Foi tricampeão do Superclássico das Américas, com destaque para a edição de 2012, quando foi pela primeira e única vez o capitão do Brasil no jogo de ida, e para a conquista de 2014, quando pegou um pênalti cobrado por Lionel Messi. Em competições oficiais, foi o goleiro titular na Copa América de 2015 e, como reserva, conquistou o título da Copa das Confederações de 2013 e disputou a Copa do Mundo de 2014, tornando-se o 47.º jogador do Botafogo a disputar o Mundial pela Seleção.

INFÂNCIA E JUVENTUDE

Jefferson passou a infância no interior de São Paulo, nas cidades de São Vicente, onde nasceu, e Assis, para onde se mudou aos seis anos de idade e onde iniciou sua história no futebol. Criado sem o pai, é filho de Sônia Maria de Oliveira, copeira no Fórum de Assis, e caçula de outros três irmãos. A família morava em um pequeno apartamento de três cômodos em um conjunto habitacional chamado Cohab, e Jefferson precisava dormir no corredor a fim de priorizar as mulheres da casa. Apesar das dificuldades financeiras, o goleiro garante nunca ter passado fome.

"Felizmente, nunca passei fome e minha mãe sempre tratou a mim e aos meus irmãos com carinho e amor. Temos que estar preparados para superar qualquer tipo de obstáculo."

Ainda muito jovem, antes de adentrar o mundo do futebol, o goleiro chegou a ser artista circense, fazendo bico como assistente de palhaço para ajudar a família financeiramente. Segundo o jogador, os momentos no picadeiro contribuíram para que ele se afastasse do crime e das drogas. Aos 10 anos, com facilidade para correr e a elasticidade adquirida no circo, Jefferson chegou a praticar atletismo, como velocista, e fazia capoeira. No início da adolescência, escolheu se dedicar exclusivamente ao futebol, quando já freqüentava a escolinha do professor Clélio Augusto Vieira.

CARREIRA

Categorias de base
Considerado um dos melhores goleiros do Brasil, Jefferson começou a sua trajetória no futebol, curiosamente, como atacante, nas divisões de base da Ferroviária de Assis, clube do interior de São Paulo. À época, ele acreditava que a posição de goleiro não rendia frutos, uma vez que os atacantes "ganhavam melhor e eram mais famosos". Ainda no time paulista, porém, foi convencido a trocar de função devido à sua estatura elevada.

Em 1997, aos 14 anos, se transferiu para o Cruzeiro. Apesar de já ter mudado para a posição de goleiro, no dia em que foi descoberto por olheiros do clube mineiro, em um torneio amistoso em Foz do Iguaçu, Jefferson estava atuando na linha porque o meia-esquerda da Ferroviária não pôde participar da competição Ainda assim, o treinador Clélio Augusto Vieira convenceu os observadores cruzeirenses a levá-lo para um período de testes. Após disputar um mundialito amistoso pela Raposa, em Alegrete, o goleiro foi aprovado e integrado às categorias de base do Cruzeiro.

Três anos depois, ganhou a oportunidade de treinar durante uma semana ao lado da equipe profissional. Seu desempenho agradou e o técnico Luiz Felipe Scolari decidiu promovê-lo definitivamente, mesmo contra a pressão de alguns dirigentes. Segundo Felipão, o goleiro estava sendo vítima de preconceito racial.

"Uma pessoa lá do departamento amador (do Cruzeiro) tinha contratado um outro goleiro de Londrina, um alto e loiro. E o Jefferson é preto, grandão. Eles tinham mais predileção para colocar o outro goleiro, porque achavam mais interessante. Eu achava que o Jefferson tinha muitas qualidades."

Cruzeiro

Jefferson jogou pelo time mineiro de 2000 a 2002. Sua estréia como profissional aconteceu no dia 23 de agosto de 2000, contra o Bahia, na Fonte Nova, em duelo válido pela Copa João Havelange.Aos 17 anos, o goleiro encarou o desafio após a lesões dos concorrentes André Döring e Rodrigo Posso.Por ser muito novo, a diretoria do Cruzeiro contratou o goleiro Fabiano, emprestado pela Portuguesa. No entanto, Jefferson permaneceu em alta com o técnico Felipão e fechou o ano com 17 partidas pela equipe mineira.

"Pode chegar o melhor goleiro do mundo que o Jefferson, se estiver jogando bem, vai continuar como titular.

Ao final da temporada de 2000, no entanto, o Cruzeiro contratou Bosco para o gol e Jefferson voltou à reserva no ano seguinte. Do banco dos suplentes, foi campeão da Copa Sul-Minas de 2001, mas fez apenas nove partidas ao longo do ano. No início de 2002, Jefferson voltou ao posto de titular e faturou o bicampeonato da Copa Sul-Minas, assim como o título do Supercampeonato Mineiro. Contudo, perdeu espaço na equipe após a chegada do técnico Vanderlei Luxemburgo, que preferia Gomes, dois anos mais velho. Sua situação no Cruzeiro se complicou de vez principalmente após a atuação vexatória na final da Copa dos Campeões de 2002, contra o Paysandu. Na derrota por 4–3, ele foi acusado de ter falhado em pelo menos três dos quatro gols sofridos. Sem clima no clube, foi emprestado inicialmente ao América-SP, onde ficou cerca de dois meses sem nunca ter estreado.

Botafogo: primeira passagem

Ainda no primeiro semestre de 2003, aos 20 anos de idade, foi emprestado ao Botafogo para a disputa da Série B. Apresentado no dia 20 de março ao lado do meia Daniel, o goleiro chegou ao clube sob desconfiança, pouco conhecido pela torcida alvinegra. Apesar da pouca idade do jogador, o Jornal dos Sports chegou a questionar sua contratação em uma coluna de opinião, lembrando que, no Cruzeiro, Vanderlei Luxemburgo "ficava de cabelo em pé quando escalava o goleiro, tal a insegurança que ele passava para o time". Jefferson, no entanto, demonstrava otimismo em sua apresentação ao explicar porque aceitara a proposta do Botafogo.

"Primeiro, porque confio na nova diretoria do clube, que está no caminho certo e com certeza vai conseguir reestruturar o Botafogo. E depois por causa do técnico Levir Culpi, com quem já trabalhei no Cruzeiro."

Ainda assim, iniciou sua trajetória como reserva de Max, disputando apenas duas partidas em sua primeira temporada. Assumiu a titularidade no gol alvinegro em 2004 e, mesmo com a péssima campanha da equipe no retorno à Série A, conseguiu destaque com boas atuações. No ano seguinte, o goleiro continuou sendo um dos principais nomes do Botafogo e já sonhava com a Seleção Brasileira. Em junho, deixou o clube carioca rumo à Europa, onde acreditava que teria mais chances de ser convocado para a Seleção.

Futebol turco

Em junho de 2005, acertou sua transferência para o Trabzonspor, como substituto do goleiro australiano Michael Petković. Sua primeira partida foi contra o Kayserispor, em vitória por 2–1. Após três temporadas, transferiu-se para outro time do país, o Konyaspor. Ao final do Campeonato Turco de 2008–09, porém, o clube foi rebaixado.

Durante os quatro anos em que atuou no país, Jefferson foi titular em apenas dois. Segundo o goleiro, a experiência, apesar de difícil, foi importante para seu crescimento profissional.

A volta ao Botafogo

Em meados de 2009, Jefferson se desligou do Konyaspor e voltou ao Brasil sem contrato com nenhum clube. Apesar da preferência pelo Botafogo, o goleiro não conseguiu fechar negócio na primeira tentativa com o time alvinegro.

"Quando quis voltar, em 2009, o primeiro clube que procurei foi o Botafogo. Acertei tudo e vim. Quando cheguei, veio a informação: ‘Não vamos fechar o negócio’. A essa altura, não tinha mais clube para mim."

Sem time, o goleiro passou dois meses treinando por conta própria em São José do Rio Preto, no interior paulista. Em agosto, Jefferson acertou definitivamente seu retorno ao clube carioca.O status do goleiro não era alto: Jefferson chegou ao Botafogo na condição de reserva e com vínculo de apenas quatro meses. Após cinco partidas, porém, logo teve seu contrato renovado.

Sua reestreia pelo Glorioso foi em um clássico contra o Fluminense, pela 24ª rodada do Campeonato Brasileiro. O arqueiro foi o destaque da partida com grandes intervenções e belas defesas. Como Castillo vinha cometendo diversas falhas e Renan estava parado por conta de uma lesão no púbis, Jefferson conquistou seu espaço como titular na meta alvinegra. Na reta final daquele ano, salvou a equipe em diversas partidas e ajudou o clube a evitar o rebaixamento.

Em 2010, na semifinal da Taça Guanabara contra o Flamengo, fez uma defesa milagrosa em chute de Vágner Love à queima roupa, ajudando o alvinegro a derrotar o maior rival por 2–1. Na decisão da Taça Rio, novamente contra o Flamengo, defendeu um pênalti do atacante Adriano, garantindo o título do Campeonato Carioca por antecipação. Logo após a conquista, o goleiro acertou a renovação com o Botafogo até o final do ano de 2012. No segundo semestre, graças às suas boas atuações pelo Glorioso, foi convocado para a Seleção Brasileira pelo técnico Mano Menezes, tornando-se o primeiro jogador do Botafogo a chegar à Seleção em 12 anos. Desde a Copa do Mundo de 1998, quando o zagueiro Gonçalves e o atacante Bebeto foram convocados, o clube não tinha um representante na seleção.

Em 2011, o Botafogo não conseguiu conquistar nenhum título. Mesmo assim, Jefferson continuou se destacando e recebeu propostas para deixar o alvinegro. O Milan, da Itália, chegou a fazer uma sondagem para que Jefferson se tornasse o substituto de Dida, mas ele permaneceu no clube carioca. No mesmo ano, estreou como titular na Seleção Brasileira e renovou com o Botafogo até 2014.Valorizado, seu salário aumentou 150% desde seu retorno ao time carioca.

No dia 15 de julho de 2012, completou 250 jogos pelo Botafogo contra o Fluminense, em partida válida pelo Campeonato Brasileiro. No dia 20 de janeiro de 2013, na vitória sobre o Duque de Caxias por 3–0, válida pela primeira rodada da Taça Guanabara, o goleiro se tornou o recordista de jogos pelo Botafogo no Engenhão, com 108 partidas pelo clube no estádio. No dia 17 de julho, recebeu uma luva estilizada como homenagem pelos 300 jogos com a camisa do Botafogo, marca alcançada no dia 14 de julho, em duelo contra o Grêmio, pelo Campeonato Brasileiro. Ao longo do ano, o goleiro teria recebido diversas sondagens de clubes europeus, como Napoli e Roma, da Itália, e Manchester United, da Inglaterra, mas nenhuma proposta concreta aconteceu.

Em meados de 2014, Jefferson despertou interesse do Benfica, mas o clube português desistiu de sua contratação devido ao alto salário. No dia 20 de agosto, completou 350 partidas pelo Botafogo, contra o Figueirense, em jogo do Campeonato Brasileiro. Apesar de ter sido eleito o melhor goleiro do campeonato suas grandes atuações não foram suficientes para salvar o Botafogo do rebaixamento, após um ano de turbulências no elenco e problemas financeiros.

Em 2015, mesmo na Série B, o goleiro renovou contrato com o alvinegro até o ano de 2017. Na reapresentação ao clube, Jefferson revelou ter tido proposta do Santos e declarou amor ao Botafogo. 
"Tanto o Botafogo precisa de mim quanto preciso do Botafogo. Acho que foi um casamento que deu certo. Falo para a minha esposa que sou torcedor do Botafogo hoje, amo o Botafogo. Eu me sinto em casa."

No dia 3 de julho de 2015, em partida contra o Sampaio Corrêa, Jefferson completou 387 jogos pelo Botafogo e entrou na lista dos dez atletas que mais atuaram pelo clube carioca. A marca de 400 jogos com a camisa do alvinegro foi alcançada em 15 de setembro, na partida contra o Oeste, que terminou empatada em 1–1. Ao final do ano, o capitão alvinegro se consagrou como um dos principais nomes do Botafogo no título da Série B. Em 2016, disputou o Campeonato Carioca e participou de um jogo da Copa do Brasil, contra a Juazeirense, pela segunda fase. Na partida em questão, sofreu uma ruptura parcial do tendão do tríceps e precisou passar por uma cirurgia. A previsão inicial era de três meses longe dos gramados, mas o goleiro acabou ficando fora de todo o restante da temporada. Em novembro, foi noticiado que Jefferson passaria por nova cirurgia, uma vez que o tendão do tríceps reconstituído não cicatrizou adequadamente, e dessa vez sem previsão de retorno aos campos.

Em junho de 2017, após 13 meses afastado, o goleiro voltou a ser relacionado para uma partida oficial, contra o Vasco da Gama, em jogo da Série A, mas ficou no banco de reservas. O retorno ao futebol aconteceu no dia 9 de julho, em duelo contra o Atlético Mineiro pelo Brasileirão. Na ocasião, o arqueiro alvinegro defendeu um pênalti cobrado por Rafael Moura, além de fazer outras defesas importantes no empate por 1–1. Após a partida, o jogador comemorou a atuação e revelou que considerou até mesmo se aposentar durante os 14 meses em que ficou parado.

"O que eu passei nesse ano parado foi bem difícil. Pensei até em parar. Muitos não acreditavam na minha volta. Estou como Lázaro, Deus me ressuscitou para dar continuidade aos meus sonhos. Não acabou ainda."

Dez dias após voltar a disputar partidas oficiais, Jefferson renovou contrato com o Botafogo por mais um ano. No dia 29 de janeiro de 2018, em entrevista à Fox Sports, o goleiro confirmou que irá se aposentar ao fim da temporada. Em 6 de fevereiro, na vexatória derrota para a Aparecidense por 2–1 na Copa do Brasil, atingiu a marca de 442 partidas pelo alvinegro, tornando-se o goleiro que mais vezes vestiu a camisa do clube ao lado do ídolo Manga. No dia 2 de junho, fez seu 453.º jogo com o manto botafoguense, na vitória por 2–1 diante do Vasco da Gama, em São Januário. Com a marca, igualou-se ao lateral-esquerdo Valtencir como o terceiro jogador que mais vezes vestiu a camisa do Botafogo. Quatro dias depois, no empate em 0–0 contra o Ceará, Jefferson se isolou na terceira posição do ranking, atrás apenas dos maiores ídolos da história do Glorioso, Garrincha e Nilton Santos.

No dia 26 de novembro de 2018, em partida contra o Paraná pela penúltima rodada do Brasileirão, Jefferson fez seu último jogo pelo Botafogo e na carreira. Foi ovacionado pela torcida, que hasteou um bandeirão com a imagem do ídolo. Além da torcida recebeu homenagens da própria família, que lhe deu um quadro em homenagem ao Botafogo, e do próprio clube, entregue pelo preparador de goleiros Flávio Tênius. Após o término da partida, Jefferson pegou um bandeirão do Botafogo e deu a volta olímpica pelo Nílton Santos agradecendo ao clube e seus adeptos pela grande carreira e pelos felizes momentos que ali passou.

Seleção Brasileira

Seleção sub-20

Em 2003, integrou o elenco da Seleção Brasileira sub-20 que foi medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo e fez parte da equipe que ganhou o Campeonato Mundial Sub-20 da FIFA, disputado nos Emirados Árabes Unidos. No mesmo ano, o goleiro também disputou o Campeonato Sul-Americano sub-20 e conquistou o Torneio da Malásia.

Seleção principal

Ao lado de Maicon e Fernandinho, Jefferson comemora a vitória sobre a Colômbia na Copa do Mundo de 2014.
No dia 26 de julho de 2010, Jefferson recebeu sua primeira convocação à seleção principal ao ser chamado pelo técnico Mano Menezes para um amistoso contra os Estados Unidos.No mesmo ano, voltou a ser convocado para as partidas contra Irã, Ucrânia e Argentina. Em 2011, participou dos amistosos contra Escócia, Holanda e Romênia, jogo que marcou a despedida oficial de Ronaldo da Seleção Brasileira, no dia 7 de junho, no Pacaembu. No dia 14 de junho, com a liberação da Conmebol para a convocação de um 23° jogador, Mano Menezes confirmou a presença de Jefferson na Copa América de 2011, sua primeira competição oficial com a Seleção, para ser o terceiro goleiro. Esteve presente também no Superclássico das Américas, disputado em dois jogos contra a Argentina, nos quais apenas jogadores que atuavam nos dois países poderiam participar. Na primeira partida, Jefferson estreou como goleiro titular da Seleção. A convocação para o jogo de volta ocorreu no dia 22 de setembro, junto com a lista para os amistosos contra a Costa Rica e o México. Sem sofrer nenhum gol, foi campeão do Superclássico das Américas. Já contra a seleção costarriquenha, o goleiro Julio César começou como titular, mas se machucou durante a partida e Jefferson o substituiu. No dia 11 de outubro, contra o México, o arqueiro do Botafogo se destacou defendendo um pênalti que contribuiu decisivamente para a vitória dos brasileiros, encerrando em alta o ano na Seleção.

Em 2012, foi convocado diversas vezes, mas só atuou em duas partidas: contra a Dinamarca e diante da Argentina, no primeiro jogo do Superclássico das Américas, quando foi capitão da equipe. Em 2013, foi reserva na Copa das Confederações, no Brasil. Em 2014, participou pela primeira vez de uma Copa do Mundo, novamente como goleiro suplente. No dia 11 de outubro, Jefferson conquistou pela terceira vez o Superclássico das Américas, em jogo que defendeu pênalti cobrado por Lionel Messi.

Após o retorno do técnico Dunga à Seleção, em julho de 2014, Jefferson ganhou a vaga na equipe. Em 2015, disputou sua primeira competição oficial como titular, a Copa América.[18] Ao final do ano, contudo, perdeu a titularidade para o jovem Alisson, do Internacional, por opção do treinador. A decisão surpreendente repercutiu na imprensa, entre torcedores e ex-jogadores, que defenderam o goleiro do Botafogo. A partir de então, Jefferson esteve presente apenas na convocação seguinte, ainda como reserva de Alisson, e depois não foi mais chamado para a Seleção.

Defesas de pênalti
Em 459 partidas pelo Botafogo, Jefferson defendeu 19 pênaltis: 15 no tempo normal e 4 em disputas por pênaltis. Pela Seleção Brasileira, o arqueiro defendeu duas penalidades em 22 jogos, ambas no tempo normal: uma cobrança de Andrés Guardado, no jogo contra a seleção mexicana em 2011, e uma de Lionel Messi contra a seleção argentina em 2014.

Em 2012, o goleiro assinou contrato de três anos com a marca de artigos esportivos brasileira Penalty para usar chuteiras e luvas. A partir de 2013, Jefferson ganhou patrocínio da marca norte-americana Nike.

Vida pessoal

Jefferson é declaradamente cristão. O atleta é casado com Michelle Buosi e tem três filhas, Nicole, Débora e Jéssica.

Polêmicas

Durante a semifinal da Taça Guanabara de 2013, contra o Flamengo, Jefferson desenhou um peixe no cabelo, em alusão à confraria Atletas de Cristo. O Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) prometeu analisar o caso, uma vez que o símbolo religioso configuraria desrespeito às regras da FIFA e ao Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que proíbem qualquer manifestação do gênero dentro de campo. Internautas e o ex-atacante Baltazar, também membro dos Atletas de Cristo, saíram em defesa do jogador. Poucos dias depois, o goleiro se pronunciou alegando "não estar prejudicando ninguém" e afirmando que manteria o corte. Nos tribunais, o caso não foi adiante.

Em maio de 2015, em visita ao Departamento Geral de Ações Sócio Educativas (Degase), Jefferson revelou ao canal ESPN ter cometido furtos na adolescência. Em um contexto nacional de discussão acerca da redução ou não da maioridade penal, o goleiro não se pronunciou diretamente sobre o tema, mas afirmou que "todos merecem uma segunda chance".

No mesmo ano, o goleiro se envolveu em mais uma polêmica, dessa vez com Dunga, então técnico da Seleção Brasileira. Em outubro, após a derrota diante do Chile na estreia das Eliminatórias da Copa, Dunga barrou o jogador do Botafogo do time titular na partida seguinte, contra a Venezuela, alegando opção técnica. O goleiro também foi reserva nos dois últimos jogos do ano e não escondeu a frustração. Em entrevista ao programa Bem, Amigos, do SporTV, Jefferson admitiu que não esperava ser barrado e disse que o treinador não lhe deu o devido crédito. Segundo informações do jornalista Tim Vickery, da BBC, Dunga ficou muito bravo com a declaração e, por conta disso, não convocou mais o goleiro. Já o treinador alegou que chamou o arqueiro até enquanto ele jogava a Segunda Divisão e que, naquele momento, estaria dando chance para outros.


Em 2018, o Botafogo foi eliminado de forma vergonhosa na primeira fase da Copa do Brasil após perder para a Aparecidense, time da Série D. Após a partida, Jefferson foi flagrado sorrindo no gramado pelas câmeras de televisão, o que gerou surpresa e revolta entre os torcedores alvinegros, que criticaram o goleiro nas redes sociais. Dada a repercussão negativa, o jogador se defendeu e disse que, no momento flagrado, estava sorrindo porque havia encontrado um amigo da época de categorias de base do Cruzeiro, mas que estava tão decepcionado com o revés quanto a torcida.


Clubes[editar | editar código-fonte]

ClubeTemporadaCampeonato
nacional[a]
Copa
nacional[b]
Competições
continentais[c]
Outros
torneios[d]
Total
JogosGolsJogosGolsJogosGolsJogosGolsJogosGols
Cruzeiro2000170170
20011000004090
000040
20029050190440
7040
Total27012000310700
Botafogo2003200020
200442030100550
20058030120230
Total5206000220800
Trabzonspor2005–062601020290
2006–071502030200
2007–08301040
Total440405000530
Konyaspor2008–0919000190
Total190000000190
Botafogo200915040190
201036040160560
20113006030150540
20123005020200570
201326090170520
2014270208030400
201526040100400
20160010180190
20176010000070
2018130101080230
Total209033018010703670
Total na carreira351055023016105890

Ao todo, Jefferson foi convocado para 63 partidas da Seleção Brasileira, participando de 22 jogos.
N.ºDataCompetiçãoLocalPlacarAdversárioSituação
114 de setembro de 2011Superclássico das AméricasArgentina CórdobaBrasil Brasil0 — 0Flag of Argentina.svg ArgentinaTitular
228 de setembro de 2011Superclássico das AméricasBrasil BelémBrasil Brasil2 — 0Flag of Argentina.svg Argentina
37 de outubro de 2011AmistosoCosta Rica San JoséBrasil Brasil1 — 0Flag of Costa Rica (state).svg Costa RicaEntrou aos 30'/2°T
411 de outubro de 2011AmistosoMéxico TorreónBrasil Brasil2 — 1Flag of Mexico.svg MéxicoTitular
526 de maio de 2012AmistosoAlemanha HamburgoBrasil Brasil3 — 1Flag of Denmark.svg Dinamarca
619 de setembro de 2012Superclássico das AméricasBrasil GoiâniaBrasil Brasil2 — 1Flag of Argentina.svg ArgentinaTitular Capitão
76 de abril de 2013AmistosoBolívia Santa Cruz de la SierraBrasil Brasil4 — 0Flag of Bolivia.svg BolíviaTitular
814 de agosto de 2013AmistosoSuíça BasileiaBrasil Brasil0 — 1Flag of Switzerland.svg Suíça
912 de outubro de 2013AmistosoCoreia do Sul SeulBrasil Brasil2 — 0Flag of South Korea.svg Coreia do Sul
105 de setembro de 2014AmistosoEstados Unidos MiamiBrasil Brasil1 — 0Flag of Colombia.svg Colômbia
119 de setembro de 2014AmistosoEstados Unidos Nova JerseyBrasil Brasil1 — 0Flag of Ecuador.svg Equador
1211 de outubro de 2014Superclássico das AméricasChina PequimBrasil Brasil2 — 0Flag of Argentina.svg Argentina
1314 de outubro de 2014AmistosoSingapura SingapuraBrasil Brasil4 — 0Flag of Japan.svg Japão
1426 de março de 2015AmistosoFrança ParisBrasil Brasil3 — 1França França[179]
1529 de março de 2015AmistosoInglaterra LondresBrasil Brasil1 — 0Flag of Chile.svg Chile
167 de junho de 2015AmistosoBrasil São PauloBrasil Brasil2 — 0Flag of Mexico.svg México[180]
1710 de junho de 2015AmistosoBrasil Porto AlegreBrasil Brasil1 — 0Flag of Honduras.svg Honduras[18]
1814 de junho de 2015Copa AméricaChile TemucoBrasil Brasil2 — 1Flag of Peru.svg Peru[181]
1917 de junho de 2015Copa AméricaChile SantiagoBrasil Brasil0 — 1Flag of Colombia.svg Colômbia[182]
2021 de junho de 2015Copa AméricaChile SantiagoBrasil Brasil2 — 1Flag of Venezuela.svg Venezuela[183]
2127 de junho de 2015Copa AméricaChile ConcepciónBrasil Brasil1 — 1[e]Flag of Paraguay.svg Paraguai[184]
228 de outubro de 2015Eliminatórias da CopaChile SantiagoBrasil Brasil0 — 2Flag of Chile.svg Chile[185]
Legenda:      Vitórias —      Empates —      Derrotas — Capitão Capitão da equipe
  • E. ^ Após o empate no tempo normal, o Brasil foi eliminado nas quartas de final da Copa América na disputa por pênaltis por 4–3.
Ano
JGS
201141
201222
201331
201440
201597
Total2211

Títulos[editar | editar código-fonte]


Com a Seleção Brasileira, Jefferson fez parte do elenco campeão da Copa das Confederações de 2013.
Cruzeiro
Botafogo
Seleção Brasileira
Seleção Brasileira Sub-20
    
    Prêmios individuais[editar | editar código-fonte]
AnoPremiaçãoPrêmioTimeResultado
2009Troféu Armando NogueiraMelhor goleiroBotafogoVenceu
2010Melhores do Campeonato CariocaMelhor jogadorVenceu
Melhores do Campeonato CariocaMelhor goleiroVenceu
Prêmio Craque do BrasileirãoMelhor goleiro3º lugar
2011Melhores do Campeonato CariocaMelhor goleiro2º lugar
Prêmio Craque do BrasileirãoMelhor goleiroVenceu
2012Melhores do Campeonato CariocaMelhor goleiro2º lugar
Troféu Armando NogueiraMelhor goleiro3º lugar
2013Melhores do Campeonato CariocaMelhor goleiroVenceu
Bola de PrataMelhor goleiro2º lugar
Troféu Armando NogueiraMelhor goleiro2º lugar
Troféu Mesa RedondaMelhor goleiroVenceu
2014Prêmio Craque do BrasileirãoMelhor goleiroVenceu
Bola de PrataMelhor goleiro3º lugar
Troféu Armando NogueiraMelhor goleiro2º lugar
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2 comentários:

  1. Muito legal, Saber a história de um clube significa resgatar e preservar a tradição daqueles que contribuíram para os momentos alegres e até tristes e para que chegássemos ao ponto em que nos encontramos e corrigir os erro e aprimorar o que deu certo. Parabéns Janjão

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  2. PARABÉNS MEU PRIMO! FICOU EXCELENTE!!! MUITO RICO EM O INFORMAÇÕES!!!👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏

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